Espírito Santo Criativo

       

1.INTRODUÇÃO

Em um cenário de globalização, novas tecnologias da informação e da comunicação, valorização econômica da dimensão simbólica (ou cultural) e da diversidade cultural, e falência dos modelos econômicos tradicionais em promover desenvolvimento e inclusão, a economia criativa encontra um terreno fértil.

Existe uma tendência crescente onde o simbólico ou intangível passaram a definir o valor de um bem ou serviço. De um lado, a economia criativa envolve a ciência e a tecnologia, de outro, como conteúdo de cultura, promove o desenvolvimento social inclusivo.

Desse modo, o setor criativo torna-se importante formador de inovação econômica e social, com grande potencial para a criação de novos empregos, empresas, produtos e serviços com alto valor agregado, pautados na criatividade e no talento de seus executores.

É um setor em ampla expansão, que engloba os setores públicos e privados, as organizações sem fins lucrativos (como fundações e OSCs), associações profissionais e a sociedade como um todo. Por isto, a economia criativa apresenta um enorme potencial de transformação e inclusão socioeconômica. 

  

2. ENTENDENDO A ECONOMIA CRIATIVA

A economia criativa corresponde às dinâmicas culturais, sociais e econômicas construídas a partir do ciclo de criação, produção, distribuição/circulação/difusão e consumo/fruição de bens e serviços oriundos dos setores criativos. Ou seja, a economia criativa lida com atividades pautadas na criatividade, em ideias, na inovação, no talento, no conhecimento e na imaginação.

Isso significa que o uso de ideias e da criatividade passou a ter papel essencial na economia, sendo elementos indispensáveis na produção de mercadorias, bens e serviços com alto valor agregado. Como a criatividade é a força motriz principal, a economia criativa é uma opção viável e uma estratégia de desenvolvimento orientada à inclusão social, diversidade cultural e desenvolvimento humano. É altamente transformadora em termos de geração de renda, criação de empregos e receitas de exportação.

A economia criativa não se restringe apenas a produtos, serviços ou tecnologias, mas também engloba processos, modelos de negócios, modelos de gestão, etc. Ao contrário da economia tradicional, a economia criativa é percebida como uma economia baseada na abundância, pois a criatividade e o conhecimento humano são infinitos. Está diretamente associada à diversidade das expressões culturais, ao potencial criativo e inovador presente na sociedade.

É importante salientar que, por focar em criatividade, imaginação e inovação como sua principal característica, a economia criativa não se restringe apenas a produtos, serviços ou tecnologias. Ela engloba também processos, competências, modelos de negócios, modelos de gestão, entre outros. 

A economia criativa pauta-se sob quatro princípios norteadores, a saber, no que tange à formulação de políticas públicas mais inclusivas e sustentáveis:

  • Diversidade Cultural: valorizar, proteger e promover a diversidade das expressões culturais nacionais como forma de garantir a sua originalidade, a sua força e seu potencial de crescimento.
  • Inclusão social: garantir a inclusão integral de segmentos da população que em situação de vulnerabilidade social por meio da formação e qualificação profissional e da geração de oportunidades de trabalho, renda e empreendimentos criativos.
  • Sustentabilidade: promover o desenvolvimento do território e de seus habitantes garantindo a sustentabilidade ambiental, social, cultural e econômica.
  • Inovação: Fomentar práticas de inovação em todos os setores criativos, em especial naqueles cujos produtos são frutos da integração entre novas tecnologias e conteúdos culturais.

  

3. SETORES CRIATIVOS

O campo criativo é bastante amplo e contempla setores culturais e criativos bastante diversos. Os setores criativos são aqueles cujas atividades produtivas têm como processo principal um ato criativo gerador de um produto, bem ou serviço, cuja dimensão simbólica é determinante do seu valor, resultando em produção de riqueza cultural, econômica e social.

Os setores devem ser compreendidos por sua inserção nos sistemas produtivos constituídos por arranjos de profissionais, empresas, instituições e o setor público. Os setores criativos são divididos em três categorias principais: patrimônio cultural, criatividade e mídias e criações funcionais.

  • Patrimônio cultural: correspondente ao patrimônio cultural e natural, incluindo produtos e serviços de museus, sítios arqueológicos e históricos e paisagens culturais.
  • Criatividade e mídias:
    1. Artes de espetáculo e festivais (teatro, dança, música, ópera, circo etc.);
    2. Audiovisual e mídias interativas (cinema e vídeo, rádio e televisão, animação e jogos digitais, conteúdos);
    3. Artes visuais e artesanato (pintura, intervenções e instalações artísticas, arte digital, videoarte, escultura, fotografia, artesanato); e
    4. Livro e imprensa (livros, jornais e periódicos, quadrinhos, bibliotecas físicas e digitais e feiras do livro).
  • Criações funcionais: design e serviços criativos (moda, design gráfico, de interiores, de produto, paisagismo, arquitetura, publicidade e propaganda, marketing, startups, pesquisa e desenvolvimento, tecnologia da informação e comunicação).

 

4. ÁREAS DE ATUAÇÃO NA ECONOMIA CRIATIVA

 

São várias as opções e oportunidades em todos os setores criativos, pois o diferencial está na criatividade, no talento, nas ideias. No âmbito das artes, por exemplo, como as artes cênicas, visuais e música, para além das formações tradicionais, como músico e ator, são crescentes as oportunidades em serviços de filmagem, gravações e fotografia; direção de arte e gestão de espetáculos; criação de cenografia e figurinos; serviços de iluminação, som e imagem, entre outros.

Na área da comunicação, a lista também é extensa: marketing tradicional e digital; criação de sites e marcas; startups; produção de vídeos; desenvolvimento de softwares, aplicativos e jogos; sistemas de distribuição e exibição de audiovisual; rádio e TV etc. Na publicidade, destacam-se a publicação, reprodução e impressão; a gestão de agências e empresas de publicidade. Este também é um setor rico em opções, nas áreas de produção, gravação, finalização e pós-produção de propagandas, entre outras.

Entre os negócios relacionados ao design, arquitetura, paisagismo, entre outros, estão, por exemplo, as agências e startups, os escritórios técnicos de arquitetura, os ateliês de design de interiores, de moda etc.

Pode-se citar também, as festas culturais tradicionais que, geralmente, levam à inclusão das minorias e grupos excluídos. Além disso, como muitas mulheres trabalham com artesanato, nas áreas relacionadas à moda, à organização de atividades culturais e à gastronomia, a economia criativa também desempenha papel catalítico na promoção do equilíbrio entre gêneros na força de trabalho criativo. 

É importante considerar que há uma integração entre a economia criativa e as demais áreas, o que demonstra a intersetorialidade e transversalidade das dinâmicas econômicas dos setores que compõem as economias criativas.

Ademais, os profissionais criativos podem atuar em outros setores criativos, bem como nos setores tradicionais também. Um profissional criativo consegue encontrar oportunidades e atuar em diversos segmentos, inclusive, nos mais antagônicos. Mesmo quando não está necessariamente em sua área, esse profissional ainda assim encontra em sua criatividade o principal elemento de seu trabalho.

 

5. POR QUE ESSE MERACDO CRESCE TANTO?

 

A economia criativa é um dos setores de maior crescimento na economia mundial. Ela também é uma das áreas mais rentáveis em termos de geração de lucros, empregos e produção e circulação de bens e serviços pautados na criatividade e na inovação como fatores chaves para a sua existência.

É clara a força e o potencial da economia criativa capixaba que tem se fortalecido gradualmente. Mesmo diante de um período de recessão econômica, o setor criativo cresce em financiamento, produção e números de empreendedores criativos e empresas. Os setores criativos, em geral, exigem baixo capital financeiro inicial, pois, o diferencial, está na criatividade, nas ideias, na inovação e no talento dos indivíduos. Outra razão são as facilidades geradas pelo avanço da tecnologia da informação e da comunicação que deu maior acesso à informação, ampliou mercados, facilitou o contanto entre o produtor e o consumidor – seja pela divulgação dos produtos e serviços, seja pela venda direta pelos canais virtuais.

Além dos indicadores econômicos, como número de empregos, renda e divisas geradas, a economia criativa também gera bens intangíveis, a melhoria da qualidade de vida, da sensação de autoestima individual e coletiva, de bem-estar social. Profissionais criativos não geram apenas produtos, bens e serviços, mas dotam-nos de valores não monetários que podem contribuir significativamente para o desenvolvimento de tecnologias, modelos de gestão e de processos centrados em indivíduos.

A “concorrência” entre agentes criativos, em vez de saturar o mercado, atrai e estimula a atuação de novos produtores e a criação de novos produtos. Ademais, a inovação faz com que a demanda por criativos só aumente. Essas profissões estão em alta, uma vez empresas buscam profissionais aptos a idealizarem soluções criativas para problemas comuns e rotineiros, a desenvolverem produtos e serviços com maior valor agregado.

Outro fator ainda mais importante é que os setores criativos estão intimamente relacionados à diversidade cultural, à afirmação e valorização da identidade multicultural do Estado.

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