Seminário discute arte e natureza em território indígena
No último dia 24 de março, o seminário “Arte, Natureza e Saberes” reuniu lideranças indígenas, artesãos, pesquisadores, artistas e educadores na sede da Associação Indígena Tupinikim e Guarani (AITG), na aldeia de Caieiras Velha, em Aracruz. A atividade integra um conjunto de ações estruturadas em quatro ciclos formativos do Taba Okara, o primeiro e único Pontão Indígena do Estado. Cada ciclo contempla momentos de estudo, escuta e troca de saberes, além de oficinas e atividades práticas e uma noite cultural dedicada à celebração, partilha e valorização entre as aldeias.
O Pontão de Cultura Taba Okara foi contemplado pelo Edital Cultura Viva n° 006/2024 - Fomento A Projetos Continuados De Pontões De Cultura, da Secretaria da Cultura (Secult), e conta com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura (MinC), Governo Federal.
Bárbara Tupinikim, coordenadora do Pontão, explicou a importância do evento, que reuniu dezenas de pessoas. “O seminário é um momento de escuta, de entender a realidade e levantar questões para construir melhorias de forma coletiva. Não é uma construção de hoje para amanhã, mas um olhar para a frente, a partir do potencial tão grande que existe e que precisa de investimentos maiores e a longo prazo”, disse.
A programação contou com a participação especial da artista, educadora e pesquisadora indígena na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), Naine Terena, que contribuiu com reflexões sobre arte contemporânea indígena, ancestralidade e os processos de criação ligados ao território.
“Já visitei muitas aldeias e aqui é um dos lugares em que vi mais estrutura de trabalho. Feiras não são o suficiente. A gente precisa de políticas públicas concretas, de investimento. Não estamos pedindo migalhas. Queremos dignidade para nosso trabalho”, pontuou Naine Terena, que também visitou a região em 2025.
A coordenadora do Pontão também celebrou a participação e a diversidade de presenças no evento. “O pontão é um instrumento para potencializar a cultura, para fortalecer o que já vem sendo feito. Todos presentes já fazem muito, partindo dos saberes da natureza, com matérias-primas naturais ou não, mas com fazeres manuais, com nossos artefatos e artesanatos, e vamos criando ao longo do tempo e continuando a levar nossa cultura adiante”, afirmou Bárbara Tupinikim.
Sentados em círculo, os participantes tiveram a oportunidade de se apresentar, falar de suas trajetórias na arte, seus produtos e trazer desafios e propostas. Deusdéia Pêgo, artesã tupinikim que reside na aldeia Pau Brasil, foi uma das que marcou presença na atividade, junto com duas de suas irmãs, que também trabalham com arte. “Os conhecimentos que tenho vieram através de muitos anciãos que já se foram. O que levo dentro do meu artesanato, do meu trabalho, são as histórias dos meus antepassados. Precisamos passar também esse conhecimento para nossos jovens e adolescentes”, relatou, comentando o desafio geracional. “O artesanato é nossa história, nossa identidade, nossa vida. Quando vendo uma peça, eu conto o que ela significa”.
O seminário contou com presença de Francimaria Lacerda, coordenadora de Promoção da Diversidade do MinC, e Daniel Iberê, consultor da Unesco e do Minc, que ouviram os relatos de artistas e artesãos e apresentaram informações sobre a Teia Nacional dos Pontos de Cultura, que será realizada entre os dias 19 e 24 maio, em Aracruz.
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