Espetáculo de dança ‘Célula’ terá apresentação gratuita na Fafi
Após um processo de produção colaborativa, o espetáculo de dança contemporânea Célula está pronto e será apresentado ao público nesta quarta-feira (29) e quinta-feira (30), quarta e quinta-feira, às 19h, na Fafi, no Centro de Vitória. A entrada é gratuita e haverá intérprete de Libras. A montagem foi contemplada pelo Edital nº 10/2023 – Artes Cênicas, da Secretaria de Estado da Cultura (Secult), com recursos do Funcultura.
A obra investiga o corpo em colapso e regeneração, propondo uma reflexão: em um mundo em que as pessoas nascem moldadas e crescem tentando se encaixar, a busca pelo essencial torna-se uma batalha contra a sociedade e também contra si mesmas.
A diretora cênica, Endi, afirma que a expectativa é atrair um público diverso. “Esperamos pessoas interessadas em dança e artes cênicas, mas também das artes visuais, da moda e da música, já que o trabalho se constrói a partir da criação autoral de cada integrante da equipe — da performance à trilha sonora, passando pelo figurino e pela cenografia”, destaca.
A pesquisa do espetáculo parte do conceito de “corpo dócil”, de Michel Foucault — moldado, vigiado e disciplinado pela sociedade — e também do “corpo sem órgãos”, de Antonin Artaud, que se rebela contra estruturas, dissolve funções e se reinventa a partir do desejo. Nesse percurso, o corpo dócil começa a se fragmentar, abrindo espaço para o renascimento de um corpo livre, pulsante e imprevisível.
Mutações
A proposta de Célula é uma dança de mutações: corpos que morrem para renascer, que se dividem para multiplicar e que se dissolvem para encontrar o próprio centro. O processo criativo foi estruturado como um laboratório de pesquisa em dança contemporânea, articulando práticas corporais, estudos teóricos e experimentações cênicas.
O ambiente de criação foi pautado pela escuta e pela colaboração, reconhecendo em cada participante um território singular de investigação e expressão. No dia 27 de março, no Espaço Cultural Má Companhia, no Centro de Vitória, foi realizado um ensaio aberto. Na ocasião, o público pôde conhecer o trabalho ainda em construção e participar de um bate-papo, contribuindo com o processo criativo.
“A gente pôde experimentar a funcionalidade e a praticidade da cena, do figurino, dos acessórios e da cenografia, além de receber retorno da equipe e do público sobre os elementos narrativos”, avalia Endi. “Foi muito positivo: recebemos elogios em diversos aspectos, o que deu ainda mais ânimo para seguir com o trabalho”, completa.
O processo colaborativo começou ainda em 2025, quando foram selecionadas cinco pessoas para compor o elenco (intérpretes-criadores) e uma para assistência de direção, todas remuneradas. Não era exigida formação prévia em dança. Como forma de promover diversidade e inclusão, foram priorizadas pessoas negras, indígenas, LGBTQIAPN+, gordas, com deficiência e com mais de 45 anos.
Endi, pesquisadora em dança, artista multimídia e produtora cultural, explica que partiu de um roteiro prévio, mas aberto à construção coletiva. “Chegamos a um formato de experimentação. Há elementos que queremos desenvolver com interação do público, e o ensaio aberto nos ajudou muito nesse sentido”, afirma.
Capixaba de Vitória e pessoa com deficiência (visão monocular), Endi desenvolve, desde 2016, pesquisas sobre o corpo como campo de tensão entre opressão, libertação e imaginário, dialogando com temas como performatividade, subjetividade, dissidências, espiritualidade e futuridades.
Formada em Dança Contemporânea pela Fafi, com passagem pela Licenciatura em Dança da UFBA, atua como diretora, roteirista e performer em mais de quinze obras. Também é técnica em Modelagem do Vestuário e possui formação em figurino, roteiro, videodança e processos de criação. Sua pesquisa resulta em obras que tensionam corpo, política e poética, criando experiências sensoriais que exploram limites, fragilidades, rupturas e metamorfoses.
Ficha técnica
Direção: Endi
Assistência de direção: Ruth Rangel
Elenco: Branú Soares, Davi Ramos, Diwarian Pêgo, Isabella do Rosário e Makapon Puri
Produção: Thalia Peçanha
Cenário: Thiago Sobreiro
Figurino: Joelma Silva
Iluminação: André Stefson
Trilha sonora: Alessa Felix e Jenni Prélio (Doce Caseiro duo)
Assessoria de imprensa: Elaine Dal Gobbo
Serviço
Espetáculo: Célula
Datas: 29 e 30/04 (quarta-feira e quinta-feira)
Horário: 19h
Local: Fafi – Av. Jerônimo Monteiro, 656 - Centro, Vitória
Entrada: Gratuita
Acessibilidade: Intérprete de Libras
Informações à Imprensa:
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