08/01/2021 14h37 - Atualizado em 08/01/2021 14h39

Pesquisa sobre o congo capixaba ganha prêmio internacional de economia social

 A pesquisa contou com apoio da Secretaria da Cultura (Secult), por meio do Edital Setorial de Música do Funcultura.

A pesquisadora capixaba de identidade, gênero e etnia Déborah Nicchio Sathler foi a vencedora do prêmio de Cooperação e Solidariedade António Sérgio 2020. Ela foi premiada na categoria Pesquisa e Investigação na Lusofonia, com o livro “30 anos da gravação de Madalena do Jucu: perspectivas históricas e novos alcances”.

O resultado foi divulgado no último dia 31 de dezembro de 2020. O prêmio, que se destina a homenagear pessoas e coletivos da área da Economia Social em cinco categorias https://www.cases.pt/27908-2/ , será entregue ainda no primeiro semestre deste ano, em Lisboa, Portugal.

A pesquisa contou com apoio da Secretaria da Cultura (Secult), por meio do Edital Setorial de Música do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo (Funcultura) e baseia-se nas narrativas de integrantes das comunidades culturais do congo capixaba. O livro foi publicado, lançado e distribuído em 2019 para as escolas públicas estaduais, municipais, Institutos Técnicos Federais (Ifes), para a Universidade Federal do Estado do Espírito Santo (Ufes) e para o Núcleo de Estudos em História Oral (NEHO) da Universidade de São Paulo (USP).

A publicação impressa utilizou a metodologia da História Oral, tendo a escuta humanizada e a história relatada por quem a viveu. Os próprios integrantes das associações das bandas de congo do Estado do Espírito Santo apresentaram suas ideias e apontamentos para a cultura. Mil e trezentos exemplares do livro foram disponibilizados para pesquisa acadêmica, técnica, escolar e na formação de professores via parceria com a Secretaria da Educação (Sedu).

Déborah Nicchio Sathler é jornalista e mestre em Humanidades, Culturas e Artes (Unigranrio). A pesquisadora falou sobre o trabalho premiado.  “Escrevi o livro logo após a perda da minha filha Madalena do Espírito Santo, o povo do congo me acolheu e colaborou com a pesquisa. Eles logo entenderam que o livro é sobre eles, para eles falarem, eles nunca tinham falado numa publicação sobre a sua própria cultura, era sempre alguém contando a história por eles”, disse.

E prosseguiu: “como oralista fui para o campo de pesquisa com a missão de que eles fossem os protagonistas, são histórias de vidas carregadas de saberes, eles confiaram ao contarem suas dores comuns, seus desejos e sonhos. A cultura do congo é afetiva, são grupos familiares, é uma cultura que já nasce híbrida devido à escravidão, que proporcionou uma mistura entre as tradições negras (africanas) e brasileiras (indígenas)”, afirmou Débora Sather. 

A pesquisadora aponta ainda as dinâmicas que envolvem essa cultura. “As comunidades do congo moveram e movem a economia social de uma cultura, possuem práticas cotidianas únicas, que incluem a visão de mundo deles na música, na dança, em rituais, é um grupo único no mundo e, como tal, possui códigos comunitários e estratégias para sobrevivência cultural. Cada roda de conversa que participei está gravada na minha alma e nas páginas do livro, sou uma labutadora das narrativas humanas por um mundo mais justo e equilibrado”, explicou.

O recorte histórico da memória cultural incluiu depoimentos de 17 agentes culturais, dentre eles matriarcas, mestres, jovens, dançarinas e integrantes do congo capixaba, dos artistas Martinho da Vila, Elifas Andreato, Maestro Rildo Hora, de Tunico da Vila e da filósofa capixaba Viviane Mosé. A capa é da fotógrafa Zanete Dadalto.

 

 

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