03/04/2017 17h44 - Atualizado em 11/04/2017 12h37

Palácio Anchieta recebe exposição Moderna para Sempre – Fotografia Modernista Brasileira na Coleção Itaú Cultural

A exposição Moderna para Sempre – Fotografia Modernista Brasileira na Coleção Itaú Cultural desembarca no Palácio Anchieta, em Vitória, na próxima terça-feira (11), às 18h30. Com curadoria do fotógrafo e pesquisador Iatã Cannabrava, apresenta 118 imagens de artistas renomados da fotografia como Thomaz Farkas, José Oiticica Filho, German Lorca, Geraldo de Barros, Marcel Giró, Ademar Manarini, Mario Fiori e Eduardo Salvatore, com foco na importância do movimento modernista para a cultura e identidade brasileiras. A mostra permanece em cartaz até o dia 25 de junho. Entrada franca.

 Moderna para Sempre abre às 17h30 com palestra do curador no Palácio da Cultura Sônia Cabral. Às 19h30, já no Palácio Anchieta, Cannabrava faz uma visita guiada com o público. De acordo com ele, diversas obras apresentadas na exposição são inéditas para o grande público, uma vez que ficavam restritas ao circuito fotoclubista. De caráter itinerante, a exposição percorreu 11 cidades no Brasil: Fortaleza, Porto Alegre, Belo Horizonte, Belém, Ribeirão Preto, São Paulo, Santos, Recife, Brasília, Curitiba e Rio de Janeiro, sempre com diferentes recortes. E outras três na América Latina: Assunção, no Paraguai, Cidade do México, no México, e Lima, no Peru.

 A exposição

 
  A mostra exibe trabalhos considerados raros e que formam a coleção de fotografia modernista do acervo do Itaú Cultural. Entre os destaques, podem ser citadas obras como Formas (1950), de Eduardo Salvatore, que teve importante papel no cenário fotoclubista como um dos fundadores do Foto Cine Clube Bandeirante, em 1939, em São Paulo; a vintage, de data indefinida, Sem Título, do catalão que viveu exilado no Brasil Marcel Giró, além de Botellas (1950), Esboço (1960) e Autorretrato com sombra (1953); e Elos (1950), de Mario Fiori.

 Obras dos fotógrafos José Oiticica Filho e Osmar Peçanha também integram a mostra. Do primeiro, há seis fotografias feitas entre 1949 e 1958, todas com a sua marca de forte contraste de claros e escuros e a relação entre pessoas, espaços vazios e a geometria, como em Triângulos Semelhantes, de 1949. Do segundo, há quatro obras – Palmas (1951), Equilíbrio (1960), Estacas (1981) e Linhas (1993). Outro expressivo membro do Foto Cine Clube Bandeirante, Thomaz Farkas, tem seus trabalhos como Energia (1940) e Bailarina do Balé da Juventude UNE, Rio de Janeiro, RJ (1947) em exposição. Retratando o abstrato-geométrico de Ademar Manarini há 8 obras, como Janelas II (1953), Sem título (1950), Passarela – Largo Ana Rosa (1950) e Composição (1960).

 De Gertrudes Altschul, uma das raras representantes do gênero feminino no fotoclubismo a partir da década de 1940, estão expostas A Folha Morta (1953), Composição (s.d) e Composição II (s.d). Juntam-se a essas obras as fotografias de Rubens Teixeira Scavone, como a contemporânea Abstração #5, de 1950. De Gaspar Gasparian, há a fotografia Composição Moderna (1953); 11 fotos de German Lorca, como Curvas Concêntricas (1955), Pernas (1970), Galhos Remontados (1955) e Homem Guarda-Chuva (1954). Além de trabalhos de Gunter E.G. Schroeder, Geraldo de Barros, Fabio Moraes Bassi, Paulo Pires, entre outros, estão presentes na exposição 23 trabalhos de José Yalenti.

Mais sobre Fotoclubismo

  O fotoclubismo brasileiro teve início em São Paulo, no Foto Cine Clube Bandeirante, em 1939, e se alargou para outros fotoclubes da cidade paulistana. Em geral, era composto por fotógrafos amadores que, livres das obrigações de um trabalho comercial, puderam experimentar e quebrar regras.  Nesses núcleos aterrissaram artistas como Geraldo de Barros, José Yalenti e German Lorca. “Nas imagens, encontramos as buscas por formas e volumes, abstracionismos e surrealismo, em uma evidente influência das antigas vanguardas europeias”, conta o curador.

 Os trabalhos destes artistas começaram pictorialistas, imitando os padrões da pintura do século XIX. Com o desenvolvimento e crescimento econômico do país, desembocaram no celeiro da fotografia moderna brasileira, a chamada Escola Paulista. “As obras parecem uníssonas porque têm forte unidade temática, divididas em dois grupos: cidades ou formas, sejam elas geométricas, elaboradas ou simétricas”, explica Cannabrava. “A partir deste momento, texturas, contraluzes, enquadramentos sóbrios, linhas, solarizações, fotomontagens, fotogramas, entre outros tópicos, passam a integrar o vocabulário criativo”, reforça.

Vale observar, também, que a maioria dos membros dos fotoclubes era de imigrantes de origem europeia ou descendentes de refugiados das guerras do hemisfério norte, estabelecendo no Brasil uma produção com olhar mais otimista e de esperança no futuro, distante de assuntos sociopolíticos que predominavam nos trabalhos da época, e diferenciando-se do movimento europeu focado nas dificuldades sociais.

“Atentos às transformações que ocorriam no mundo, os fotógrafos modernistas brasileiros devoraram influências para criar uma nova fotografia, que teve como premissa uma leitura essencialmente criativa e de ruptura”, explica Iatã Cannabrava.

Para o curador, este grupo se antecipou ao atual universo dos blogs, Facebook e Flickr montando o que poderia ser chamado de primeiras redes sociais de que se tem conhecimento na área de fotografia. Por meio de salões, catálogos e concursos, formaram uma teia internacional que divulgava a produção nos grandes centros da fotografia mundial e também do Brasil.

 

Sobre Iatã Cannabrava

Fotógrafo, editor, curador e agitador cultural, Iatã Cannabrava possui três livros publicados – Casas Paulistas (2000), Uma Outra Cidade (2009) e Pagode Russo (2014) –, fotos nas coleções MASP-Pirelli, Galeria Fotoptica, Joaquim Paiva e MAM-SP e trabalhos publicados em oito livros de autoria coletiva.

 

Atualmente é diretor do Valongo – Festival Internacional da Imagem, é idealizador e coordenador do Fórum Latino Americano de Fotografia de São Paulo, realizado pelo Itaú Cultural, e até o ano passado foi diretor e realizador do Festival Internacional de Fotografia de Paraty – Paraty em Foco. Entre seus projetos permanentes estão o Madalena Centro de Estudos da Imagem, a Livraria Madalena e a Editora Madalena ao lado de Claudia Jaguaribe e Claudi Carreras.

 

SERVIÇO

Moderna Para Sempre – Fotografia Modernista Brasileira na Coleção Itaú Cultural

No Espaço Cultural Palácio Anchieta, Vitória, ES

Abertura: 11 de abril, às 18h30

Visitação: 11 de abril a 25 de junho de 2017

Horário de visitação: de terça-feira a sexta-feira, das 9h às 17h
Sábados, Domingos e Feriados: das 9h às 16h
Entrada gratuita
Classificação indicativa: Livre


Palestra com Iatã Cannabrava e Julio Martins
Aberta ao público
Data e horário: 11 de abril, às 17h30
Palácio da Cultura Sonia Cabral (206 lugares)
Rua Pedro Palácios, nº 45, Centro, Vitória, ES

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