Formação do projeto Lugares de Ler fortalece práticas antirracistas entre agentes de leitura no Espírito Santo
O projeto Lugares de Ler realizou uma formação voltada a agentes de leitura que atuam em diferentes territórios do Espírito Santo, com foco no fortalecimento de práticas de mediação literária comprometidas com a educação antirracista. A atividade teve como tema “Literatura Negra e Indígena como Potencial Antirracista na Formação de Leitores e Leitoras Críticos/as” e reuniu mais de dez participantes que desenvolvem ações em bibliotecas comunitárias, escolas, espaços culturais e projetos socioculturais.
A formação foi conduzida pela escritora e formadora Noélia da Silva Miranda de Araújo, autora de obras que integram o projeto, e teve como objetivo contribuir para a qualificação dos agentes de leitura, ampliando o repertório teórico e prático para atuação nos territórios.
Durante o encontro, foram discutidos o papel da literatura na construção de identidades e imaginários sociais, além da importância de práticas leitoras que considerem a diversidade étnico-racial brasileira. A formação também abordou o contexto histórico da literatura infantil no país, destacando sua origem marcada por referências eurocentradas e a ausência de representatividade de sujeitos negros e indígenas.
A partir de análises críticas de obras literárias, os participantes refletiram sobre a presença e a representação de personagens negros e indígenas nas narrativas, problematizando estereótipos e discursos que reforçam desigualdades. A atividade destacou que a inclusão de personagens não garante, por si só, uma abordagem antirracista, sendo fundamental compreender como essas representações são construídas.
Outro ponto central foi a apresentação do conceito de literatura afrocentrada, que propõe valorizar experiências, saberes e cosmologias africanas, contribuindo para a construção de novos imaginários e para o fortalecimento de identidades. A abordagem foi discutida como uma ferramenta importante para a mediação de leitura em contextos diversos.
A formação também trouxe reflexões sobre os critérios de escolha de obras literárias, incentivando os agentes a considerarem aspectos como autoria, intencionalidade e lugar de fala. Questões como “quem fala”, “sobre quem se fala” e “com que intenção” foram apontadas como fundamentais para uma prática de mediação ética e comprometida.
A metodologia adotada priorizou o diálogo, a escuta e a análise crítica, combinando exposição teórica, discussão de textos e problematização das práticas desenvolvidas nos territórios. A avaliação do encontro destacou o engajamento dos participantes e a ampliação do olhar crítico sobre a literatura e seu papel social.
O Lugares de Ler é uma realização da Secretaria da Cultura (Secult), por meio da Biblioteca Pública do Espírito Santo (BPES), em parceria com o Instituto Raízes, selecionado via chamamento público. Conta com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura, Governo Federal, e integra as ações do programa Estado Presente em Defesa da Vida, voltado a regiões com altos índices de vulnerabilidade social.
A formação integra as ações do projeto voltadas à qualificação de agentes culturais e à promoção do acesso à leitura literária, contribuindo para a construção de práticas mais inclusivas, críticas e alinhadas com a diversidade da sociedade brasileira.
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