12/02/2026 14h22

Exposição resgata memória de casa histórica do Centro de Vitória

“O que sonham as fotografias quando ninguém as vê?”. Essa foi a pergunta que deu origem à exposição “Memórias e cores da Casa – o ontem e o hoje do Espaço Thelema”, que está aberta ao público na Thelema, Centro de Vitória, até 27 de junho. Os trabalhos expostos são fruto de uma oficina ministrada pela artista visual Fernanda Hott nos meses de outubro e novembro de 2025 que, segundo a artista “reconstroem a história e a história imaginada” do imóvel onde funciona o centro cultural.

Os trabalhos expostos são de autoria de Ernani Ribeiro, Felipe Fernández, Todeska Badke, Lana Figueira e Camila Benezath, participantes da oficina. A reconstrução da história da casa teve como ponto de partida materiais que a registram, como uma caixa de fotografias que mostram o cotidiano da família Jesus, que ali vivia. A história imaginada, segundo Fernanda, trata-se do olhar sobre o que está posto nas imagens. “Como as pessoas percebem aquelas imagens, já que muitas nem têm legendas? Como imaginam as situações e contextos?”, questiona a artista visual.

A partir daí, durante as oficinas foram feitos materiais como os de colagem e bordado buscando resgatar a história da casa, da rua Graciano Neves, e como aquilo se encaixa no contexto do Centro de Vitória. Trata-se, explica Fernanda, de uma técnica chamada fotografia expandida, que usa o retrato como base de uma colagem e expande com outros elementos.

O resultado foram trabalhos com críticas sociais, por exemplo, como o de Camila Benezath, que viu nas fotos que os homens da família se reuniam à mesa para brindar com cerveja enquanto as mulheres apareciam nas atividades religiosas e “na rigidez do piano”. Assim, no trabalho produzido por ela resolveu mudá-los de local: mulheres à mesa e homens ao piano. Outra marca foi entrelaçar o passado com a atualidade, por exemplo, com uma colagem na qual uma das antigas moradoras, Dona Oneida, aparece na porta do imóvel, que é mostrado com a pintura atual da calçada e das paredes externas.

“O resultado foi fantástico. Os trabalhos ficaram lindos. As expressões ficaram tocadas com as experiências de cada participante. Alguns, inclusive, tiveram experiências com pessoas que moravam na casa. Todo mundo saiu encantado com a ideia!”, diz Fernanda.

O imóvel onde está instalada a Thelema é uma edificação de quase 100 anos que passou muito tempo abandonada após a morte das quatro irmãs que ali habitavam: Oneide, Odaleia, Odete e Olga, todas pianistas. Todeska, uma das participantes da oficina, frequentou a casa muito antes de a Thelema existir, pois foi aluna de piano de Odete e relembra com carinho: “as quatro irmãs gostavam de um bom papo”.

Foram as recordações do passado, a admiração pela artista visual Fernanda Hott e o fato de ser apreciadora das artes em geral que a motivaram a se inscrever para participar da oficina que deu origem à exposição. “Sou muito saudosista, sou da emoção. Essas coisas todas me tocam muito. Fico feliz de ver que hoje a casa continua sendo um lugar que transpira cultura”, diz.  

O gestor cultural da Thelema, David Rocha, recorda quando, em novembro de 2019, durante a limpeza do imóvel que abrigaria a Thelema depois de sua saída da rua Gama Rosa, foi encontrado “um antigo e pesado baú de madeira”. “Dentro dele, havia dezenas de fotografias e alguns documentos, quase todos já bastante danificados pela umidade e pela ação do tempo. Ali reconhecemos um fragmento de história: registros do cotidiano de uma família, de seu círculo de amizades e também de um pequeno recorte da vida no Centro de Vitória a partir dos anos de 1940”, rememora.

De acordo com David, a guarda e a preservação desse acervo representam “uma espécie de pedido de licença simbólico para ocupar um casarão tão cheio de memórias”. “Agora, com a sensibilidade e a competência da artista Fernanda, esses registros ganham nova vida, transformando-se em novas histórias e memórias”, ressalta

Festival Entrelaços

O festival nasceu em janeiro de 2025, como ‘Projeto Entrelaços’ em comemoração aos sete anos do espaço Thelema. Ao longo do ano foram realizadas diversas atividades culturais de forma gratuita, colocando como protagonistas os artistas capixabas ou residentes no estado, das mais diversas áreas, como literatura, música, artes cênicas e visuais, cujas trajetórias artísticas se entrelaçam com a história da Thelema. 

Diante da oferta de uma programação multilinguagem e de forma continuada, o Entrelaços se consolidou na agenda cultural da Grande Vitória como uma opção de lazer e acesso à cultura capixaba, ganhando um caráter de festival.

A programação do Festival terá continuidade durante todo o ano de 2026 e 2027, contribuindo para a projeção de artistas do estado e com a formação de público, além da geração de renda para diversos trabalhadores da cultura, nas mais variadas frentes de atuação no setor.

A exposição é realizada com recursos do Edital de Manutenção de Espaços Culturais do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo (Funcultura) e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura (MinC), do Governo Federal, por meio da Secretaria da Cultura (Secult).

 

Serviço:

Memórias e cores da Casa – o ontem e o hoje do Espaço Thelema

Local: Thelema, rua Graciano Neves, Centro de Vitória

A Thelema funciona às segundas e terças, das 10h às 18h; de quarta a sexta, das 10h às 19h; e aos sábados, das 9h às 16h.

 

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