24/03/2026 15h03 - Atualizado em 24/03/2026 15h18

Espetáculo de dança Célula realiza ensaio aberto nesta sexta-feira (27)

A Má Companhia, no Centro de Vitória, abre as portas, nesta sexta-feira (27), para o ensaio aberto do espetáculo de dança contemporânea Célula, às 19h horas. Na ocasião, será apresentado o que foi pensado até então para o espetáculo, que está em fase de construção. Além disso, será feito um bate-papo sobre esse processo com o público, que poderá fazer suas contribuições para a montagem. A entrada é gratuita,

A montagem do espetáculo está sendo possível por meio do edital 10/2023 – Artes Cênicas, do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo (Funcultura), da Secretaria da Cultura (Secult), e conta com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB).

O ensaio aberto, acrescenta a diretora cênica, Endi, busca perceber quais são as impressões que o trabalho desenvolvido vai deixar no público e se elas vão ao encontro daquilo que o espetáculo busca transmitir. Célula investiga o corpo em colapso e regeneração, trazendo a reflexão de que em um mundo onde as pessoas nascem moldadas e crescem tentando se encaixar, a busca pelo que é essencial torna-se uma batalha contra a sociedade, mas também contra si mesmo.

A pesquisa parte do conceito de corpo dócil, de Michel Foucault, que é um corpo moldado, vigiado e disciplinado pela sociedade. Parte também do conceito de Antonin Artaud, de corpo sem órgãos, que se rebela contra toda estrutura, que dissolve suas funções e se reinventa a partir do desejo. O corpo dócil, vigiado e disciplinado, começa a se fragmentar. A desordem, por sua vez, abre espaço para o renascimento de um corpo sem órgãos — livre, pulsante e imprevisível.


A proposta de Célula é uma dança de mutações: corpos que morrem para renascer, que se dividem para multiplicar, que se dissolvem para encontrar o próprio centro. O processo criativo está sendo estruturado como um laboratório de pesquisa em dança contemporânea, articulando práticas corporais, estudos teóricos e experimentações cênicas.


Criação


O ambiente de criação está sendo pautado pela escuta e pela colaboração, reconhecendo em cada participante um território singular de investigação e expressão. Isso não começa com o ensaio aberto, já que Célula selecionou, no final de 2025, cinco pessoas para composição do corpo cênico (intérpretes-criadores) e uma para atuar como auxiliar de direção, que estão trabalhando de forma remunerada.


Os interessados não precisavam ter formação prévia em dança. Como forma de valorizar a diversidade e a inclusão, foram priorizadas pessoas negras, indígenas, LGBTQIAPN+, gordas, com deficiência e as que têm mais de 45 anos, que participaram de formações e encontros de criação do projeto, voltados à investigação de práticas anticoloniais nas artes da cena.


Endi, que é pesquisadora em dança, artista multimídia e produtora cultural, além de atuante na criação de obras que atravessam corpo, dança e audiovisual, afirma que já tinha um roteiro pré-estabelecido, mas aberto pra nortear, junto com a equipe, movimentos e direcionamentos, por exemplo. “Em uma construção coletiva chegamos a um formato para experimentação, pois tem coisas que queremos fazer com interação com o público, e o ensaio aberto nos possibilitará isso”, diz. A turnê do espetáculo está prevista para abril deste ano.


Capixaba de Vitória e pessoa com deficiência (visão monocular), Endi desenvolve desde 2016 uma investigação centrada no corpo como campo de fricção entre opressão, libertação e imaginário, dialogando com temas como performatividade, subjetividade, dissidências, espiritualidade e futuridades. Formada em Dança Contemporânea pela FAFI e com uma passagem pelo curso de Licenciatura em Dança da Universidade Federal da Bahia (UFBA), é diretora, roteirista e performer em mais de quinze obras, técnica em Modelagem do Vestuário, formada pelo Centro Estadual de Educação Tecnológica Vasco Coutinho, e acumula formações em figurino, roteiro, videodança e processos de criação. Sua pesquisa se materializa em obras que tensionam corpo, política e poética, criando experiências sensoriais que investigam limites, fragilidades, rupturas e metamorfoses.

Serviço


Ensaio aberto do espetáculo Célula

Local: espaço cultural Má Companhia, localizado na rua Professor Baltazar, 152, Centro de Vitória
Horário: 19h
Data: sexta-feira, 27 de março
Entrada gratuita

Ficha técnica:
Direção: Endi
Assistência de direção: Ruth Rangel
Elenco: Branú Soares, Davi Ramos, Diwarian Pêgo, Isabella do Rosário, Makapon Puri
Produção: Thalia Peçanha
Cenário: Thiago Sobreiro
Figurino: Joelma Silva
Iluminação: André Stefson
Trilha sonora: Alessa Felix e Jenni Prélio (Doce Caseiro duo).


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