Suspender o Céu: espetáculo gratuito articula dança, artes visuais e paisagem sonora
O espetáculo “Suspender o Céu”, estreia no Espírito Santo, entre os dias 11 e 14 de junho (quinta-feira a domingo), na Casa da Música Sônia Cabral, em Vitória. Na apresentação, a dança, as artes visuais, a iluminação cênica e paisagens sonoras apresentam imagens, memórias e movimentos sobre os sintomas da exaustão e do trabalho excessivo, assim como a cura e libertação na desaceleração do tempo e no estado de presença. A montagem tem entrada gratuita mediante retirada de ingressos na bilheteria 1 hora antes do evento.
Ainda está incluso na programação: Ensaio Aberto na Escola Técnica de Teatro, Dança e Música (Fafi), no Centro de Vitória, no próximo sábado (6), às 19 horas; Oficina Tecnologias de Suspensão, no dia 13 de junho (sábado), das 08 às 12 horas, na Fafi, além de apresentações para alunos da Rede Pública de ensino do estado, nos dias 16 e 17 de junho, na Casa da Música Sônia Cabral.
O espetáculo é realizado por Farley José e por meio do Edital n°10/2024 – Artes Cênicas, da Secretaria da Cultura (Secult), com recursos do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo (Funcultura) e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura (MinC), do Governo Federal. Conta ainda com parcerias da Fafi e da Casa da Música Sônia Cabral.
Sobre a montagem
A apresentação atravessa, de maneira intensa e poética, as questões de saúde mental e física impactadas pela lógica produtivista, perpassando sintomas como ansiedade, burnout e depressão. Partindo disto, o espetáculo reivindica a cura e a libertação do corpo, da mente e da vida com estratégias de suspensão, de desaceleração e defesa dos afetos. Por meio da presença e da pausa para sentir a vida, o espetáculo aciona novas formas de existência, que devolvem ao corpo a quietude, a qualidade e continuidade da vida, para além da mera sobrevivência e utilidade da vida.
Para além da performance, as artes visuais, o cenário, iluminação, direção sonora, a filosofia e a psicanálise são elementos fundamentais no espetáculo, que traz as metáforas da dominação da terra, da queda e da suspensão de céu como experiências simbólicas das questões abordadas, envolvidas em um cenário composto por 100 kg de terra, 40 metros de tecidos, cordas de sisal, ganchos e cargas.
“Na lógica produtivista, o céu cai sobre nós de formas sutis, invisíveis e silenciosas, com demandas diárias que nos levam à exaustão, e tudo isso é aceitável porque é trabalho. A ideia de suspender o céu simboliza a ruptura intensa, o momento em que chegamos à extrema exaustão e precisamos buscar psiquiatras, práticas holísticas e espirituais, para aprender a parar um corpo que foi condicionado à velocidade. É um processo muito complexo, que dá muito mais trabalho do que adotar práticas de quietude, afeto e pausas no dia a dia”, descreve Farley José, idealizador da peça.
Com criação e atuação do bailarino e multiartista Farley
José, contando com direção cênica e coreografia do artista, psicanalista e
pesquisador do Rio Grande do Norte, Alexandre Américo, “Suspender o Céu” surgiu
a partir de 2022. Nesse período, Farley atravessou episódios de ansiedade,
burnout e depressão, a partir de uma rotina excessiva de trabalho e de questões
pessoas que o levaram a repensar os sentidos da própria vida. De lá pra cá,
após passar por afastamento do mercado de trabalho, tratamentos psiquiátricos e
reinvenção da própria rotina, Farley transformou sua experiência neste
espetáculo, transpondo na criação cênica e na performance as suas estratégias e
processos de cura.
A criação da obra foi desenvolvida a partir de uma parceria entre o intérprete-criador Farley José, com o coreógrafo caiçara e neuro divergente, Alexandre Américo, por meio de residência coreográfica no Espírito Santo.
Inspiração
No processo de pesquisa, o espetáculo foi inspirado em
conceitos de Ailton Krenak, nas obras “Ideias para adiar o fim do mundo” e “A
vida não é útil”, nas ideias do “tempo espiralar” da poeta, pensadora e
dramaturga Leda Maria Martins, nas reflexões sobre tempo e duração do filósofo
Henri Bergson, bem como a premissa de “levar o corpo para passear”, da filósofa
Viviane Mosé, além de conceitos da psicanalista Melanie Klein. No contexto da
dança, a coreografia de Alexandre Américo se baseia em referências como o
conceito de “scores”, definidos pela bailarina Meg Stuart, que englobam
um conjunto de instruções, imagens e ações, compondo movimentos que acionam
memória, colapso e resistência, investigando diversos estados físicos e
emocionais do corpo.
Sobre os idealizadores
Farley José é dançarino desde os 5 anos de idade, e atua
profissionalmente na dança e nas artes cênicas há 14 anos. É artista
pluridisciplinar do corpo e da imagem, formado em Desenho Industrial pela
Universidade Federal do Espirito Santo (Ufes). Atua entre dança, artes visuais
e audiovisual, investigando corpo, espiritualidade, expressão de gênero,
emancipação e cura. O multiartista integrou companhias como Cia K de Dança
Contemporânea por Álvaro Leal (2013-2019) e Reverence Cia de Dança por Gabriela
Moriondo e Karla Parmagnani (2018-2019).
Entre seus trabalhos está a videodança “Terra Santa”, criada no LabIC (Laboratório do Intérprete Criador), coordenado por Ivna Messina, premiada pelo Edital Rumos Itaú Cultural (2019–2020), que integrou a 5ª Mostra de Dança do Itaú Cultural (2022) e estreou como espetáculo em 2025 por meio da Lei Rubem Braga. No mesmo ano, a videoperformance “TERRA SANTA” compôs o Panorama Espírito Santo da VII Mostra Sesc de Cinema. Em 2025, a videodança e instalação “Muitas Águas” integrou a exposição “Baía de Vitória: Outras Margens Possíveis”.
Alexandre Américo é artista e pesquisador da dança,
doutorando em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN),
mestre em Artes Cênicas e licenciado em Dança. Sua investigação em arte
contemporânea possui enfoque na diferença, nas dramaturgias contra-coloniais e
nas práticas performativas e de improvisação, articulando perspectivas
racializadas e acessíveis sobre o corpo e o movimento. Em diálogo com os
estudos da cripstemologia (teoria aleijada), sua prática questiona normas de
percepção, virtuosismo e estabilidade, propondo modos dissidentes de existência
e relação com o mundo. No encontro entre os dois artistas, “Suspender o Céu”
torna-se um campo de investigação compartilhada em que corpos dissidentes,
instáveis e sensíveis produzem novas possibilidades de presença, resistência e
imaginação política dentro da cena contemporânea.
Serviço:
Espetáculo Suspender o Céu
Datas: 11/06 (quinta-feira) a 14/06 (domingo)
Horários:
20h (quinta-feira a sábado)
19h30 (domingo)
Local: R. São Gonçalo - Centro, Vitória
Entrada gratuita mediante retirada de ingressos
Ensaio Aberto
Data: 06/06 (sábado)
Horário: 19h
Local: Fafi - Av. Jerônimo Monteiro, 656 -
Centro, Vitória
Entrada gratuita
Informações à Imprensa:
Assessoria de Comunicação da Secult
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Telefone: (27) 3636-7110 / 3636-7111
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