Regina Serapião lança série de videoarte “O que o tempo escreve na pele”
A artista Regina Serapião lança na próxima quinta-feira (25), o primeiro
episódio da série de videoarte “O que o tempo escreve na pele”, uma obra em
três atos na qual corpo, natureza e objetos tornam-se indissociáveis. Os vídeos
serão lançados em um canal no YouTube (link), a cada quinta-feira, contando com recursos
de acessibilidade de audiodescrição, legenda descritiva e tradução em Libras.
O projeto é uma realização da FiNA Produtora, com recursos
do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo (Funcultura), da Secretaria da
Cultura (Secult), e da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da
Cultura.
Durante os três atos da obra, “Ato I: Transmutação
da pele”, “Ato 2: Tempo, pele, ferrugem”, e o “Ato 3: A profundidade da pele”,
a artista coloca seu corpo à disposição do mundo: a areia da praia, as pedras,
as folhas do quintal, a água e a ferrugem fazem parte da poética construída por
meio de imagens, música e performance, numa reflexão sobre a vida e a natureza.
A percepção da passagem do tempo é uma questão central em “O que o tempo
escreve na pele”, colocando a vida humana e a natureza em paralelo e em fusão a
partir das imagens e sons. “É muito triste ver uma mulher sofrer e se rejeitar
por achar que o valor dela está na beleza da pele lisa”, lamenta Regina
Serapião. Por isso, a artista usa sua própria pele e seu corpo para mostrar a
beleza impressa pelo passar dos anos. “Eu não envelheci por dentro, o que
sentia quando criança e adolescente eu sinto hoje, não muda, mas fica mais
requintado, mais saboroso”, comenta.
O trabalho nasce do lar da artista e do seio de sua família. Fotos e
vídeos registrados pela artista se somam às de sua filha, Fernanda Batalha, e
às de Fernanda Nali, diretora artística e executiva do projeto. A trilha
sonora, instrumental e autoral, é assinada pelo filho de Regina Serapião, o
músico e professor Rodrigo Batalha.
“Eu não me vejo como uma artista. O que eu tenho é uma forma apaixonada
de olhar, de ver beleza onde ela passaria despercebida”, afirma Regina
Serapião. Ela revela que desde criança tinha uma grande curiosidade ver as
coisas de bem perto e, curiosamente, anos depois, descobriu uma hipermetropia.
“Foi esse convite para ir mais perto que me despertou essas descobertas sobre
coisas que eu talvez pisasse em cima e não dessa importância”.
A partir deste olhar de encantamento com seu entorno, a artista faz de
sua varanda de frente para o mar um ateliê, onde reúne e separa materiais
encontrados durante caminhadas pela praia ou no próprio quintal: conchas,
restos de construções, objetos enferrujados, separados de acordo com o material
e dispostos de modo que possam ser manejados para criarem novas percepções, que
pretende que no futuro deêm origem a uma exposição para acesso público.
Uma longa trajetória
Em sua jornada de vida, ingressou tarde
na escola, casou-se cedo, mudou-se para Niterói (RJ), teve filhos,
divorciou-se, retornou à Praia da Baleia, onde nasceu - numa época em que o
número de moradores se contava nos dedos. Chegou a ter um estúdio de
fotografia, mas foi só aos 59 anos que ingressou no curso de Artes Plásticas na
Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), onde formou-se em 2022 com um
TCC de que traz pela primeira vez o nome “O que o tempo escreve na pele”, dando
início à sistematização das reflexões e performances que desencadeiam na série
de vídeo-artes que está sendo lançada.
Foi depois dos 60 anos de idade e dessa
longa trajetória que a artista foi selecionada na categoria Meu Primeiro
Edital, lançado pela Secult para proporcionar acesso às políticas culturais por
artistas e trabalhadores da cultura que nunca concorreram ou não foram
selecionados anteriormente, como forma de democratizar os recursos
disponibilizados.
Minibiografia da artista
Regina Serapião é artista visual e
fotógrafa, bacharel em Artes pela Universidade Federal do Espírito Santo. Sua
pesquisa articula fotografia, vídeo e performance em investigações sobre corpo,
natureza, envelhecimento e o feminino.
“O que o tempo escreve na pele” marca a
primeira apresentação pública, em formato de obra, de uma pesquisa que
desenvolve desde a sua monografia.
Serviço
Série de videoarte “O que o tempo
escreve na pele”
Lançamentos:
Ato I: Transmutação da pele - Quinta-feira, 25 de julho
Ato II: Tempo, pele, ferrugem - Quinta-feira, 2 de julho
Ato III: A profundidade da pele - Quinta-feira, 9 de julho.
Canal no YouTube: https://www.youtube.com/@Oqueotempoescrevenapele
Página no Instagram: https://www.instagram.com/oqueotempoescrevenapele/
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