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Programação cultural promovida pelo Pontão Taba Okara tem mais de 500 participantes

Publicado em: 28/05/2026 10h19

Cerca de 500 pessoas participaram do Festival de Cinema e da Noite Cultural, promovidos pelo Pontão de Cultura Indígena Taba Okara. As atividades aconteceram na última sexta-feira (22), e incluíam cinema, arte, publicação de livros, cantos e danças, na Arena de Festas da aldeia Tupinikim Caieiras Velha. A ação integrou a programação oficial da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, que aconteceu entre 19 e 24 de maio, em Aracruz

 

O Pontão de Cultura Indígena Taba Okara é gerido pela Associação Indígena Tupinikim e Guarani (AITG) e integra a Política Nacional Cultura Viva (PNCV), por meio do Edital nº 06/2024 –  Projetos Continuados de Pontões de Cultura, da Secretaria da Cultura (Secult), com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura (MinC). Com apoio da Secretaria de Recuperação do Rio Doce do Governo do Estado do Espírito Santo.

 

Moradores de várias aldeias  das etnias Tupinikim e Guarani, representantes de Pontos de Cultura de vários estados brasileiros e visitantes estrangeiros participaram das atividades, que tiveram início pela manhã com exibição de filmes, roda de conversa e apresentações culturais durante o Festival de Cinema Abá Sepiákatu, que se estendeu até o fim da tarde.

 

Foram apresentadas obras  produzidas por diretores indígenas filmadas em Aracruz e outros locais, a maioria por meio de projetos que incluíram também atividades formativas em audiovisual para jovens da região. O festival contou com participação de escolas indígenas da região e com presença do MovCéu, equipamento cultural itinerante do MinC, que consiste em um veículo adaptado para levar arte, educação e inclusão social a territórios periféricos, populações tradicionais e municípios menores.

 

No início da noite, foi dado início a uma edição especial da tradicional Noite Cultural Indígena. A iniciativa começou anos atrás, a partir do conselho dos anciões do território.

“Eles disseram: ‘Nós estamos morrendo e se morremos levamos com a gente toda história, sabedoria e potência cultural que nós temos’. Foi aí que a gente teve a sacada de conectar crianças, adolescentes e jovens com os mais velhos [...]. A Noite Cultural é um momento de conexão de várias gerações, aqui a gente, mostrar nossa música, nosso canto, nossa história por meio de vivências e também de conversas políticas” relata José Tupinikim

 

Participação na Teia

Na edição realizada durante a Teia, a abertura foi com apresentação do Coral Guarani Tape Retxakã, da aldeia Ka’agwy Porã. Em seguida, foram realizados os lançamentos de livros sobre o território, entre eles "Tupinakyîa Kûaba Îasi Resé - Caieiras Velha Tá-Pe”, de Adriana Tupinikim.

 

Ainda buscando fortalecer o debate de ideias, a atividade contou com rodas de conversa com lideranças indígenas refletindo sobre temas como justiça climática e sonoridades ancestrais. Bárbara Tupinikim, coordenadora do Pontão, debateu com Juliana Tupinambá, diretora do Museu Nacional dos Povos Indígenas, e Marcelo Guarani (Wera Djekupe), cineasta e guardião da cultura de seu povo.

 

Pontos de Cultura pela Justiça Climática foi o tema central da Teia Nacional. Bárbara lembra que a questão climática atinge não só aos povos indígenas, mas muitos saberes ligados à Política Cultura Viva (PCV), vinculada a territórios tradicionais nos quais as populações vivem uma relação de cooperação - e não de exploração - com a natureza. “Quando falamos em povos indígenas, quilombolas, de favelas e periferias, somos os mais afetados e os primeiros afetados. Mas não somos nós que fazemos as atividades de poluição e destruição do planeta. A gente paga uma conta que não é nossa!”, questiona.

 

Apresentações culturais

Um dos destaques da noite foram as apresentações culturais de música e dança tradicionais com participação de Mestre Mizinho, das Mulheres Guerreiras e dos Guerreiros Tupinikim. Outra presença marcante durante todas as atividades do dia foi de artesãos e artesãs de diferentes aldeias do território que trouxeram suas artes para expor e comercializar na Arena de Festas de Caieiras Velha. O encerramento da grande jornada de ações do Pontão Taba Okara foi com show da Banda Kaymuã, que animou os participantes trazendo a fusão entre rock e o congo Tupinikim.

 

Bárbara Tupinikim destaca que trata-se do primeiro pontão indígena no estado, que busca articular e fortalecer as iniciativas culturais das diversas aldeias Tupinikim e Guarani em Aracruz. Ao longo dos últimos meses, o projeto vem desenvolvendo atividades em quatro eixos: Canto ancestral e memória dos mestres; Arte, natureza e saberes das mulheres; Gestão cultural de projeto; e comunicação popular e etnoturismo. Em cada eixo acontece um seminário, uma atividade formativa e de intercâmbio, como foi a Noite Cultural.

 

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