Espetáculo de dança “Célula” fará apresentações gratuitas no Sônia Cabral
A Casa da Música Sônia Cabral, no Centro de
Vitória, recebe, nestas quarta-feira (13), quinta-feira (14) e sexta-feira (15),
o espetáculo de dança contemporânea Célula. A obra, criada e dirigida
pela diretora cênica Endi, investiga o corpo em colapso e regeneração,
refletindo sobre a busca pelo essencial em uma sociedade que molda indivíduos
para se encaixarem. As apresentações gratuitas acontecem sempre às 19h.
A montagem foi contemplada pelo Edital nº 10/2023 –
Artes Cênicas, da Secretaria da Cultura (Secult), com recursos do Fundo de
Cultura do Estado do Espírito Santo (Funcultura).
O espetáculo também contará com ações de
acessibilidade. No primeiro dia de apresentação haverá intérprete de Libras; no
último, audiodescrição. Além disso, serão distribuídos protetores auriculares
para pessoas com sensibilidade auditiva.
“Quero que o público com deficiência visual tenha
uma experiência mais completa possível, que possa ter contato físico com o
figurino e com a cenografia”, afirma a diretora cênica Endi.
A obra propõe uma reflexão sobre um mundo em que as
pessoas nascem moldadas e crescem tentando se encaixar, tornando a busca pelo
essencial uma batalha contra a sociedade e também contra si mesmas.
Célula já foi apresentado na Escola Técnica Municipal de
Teatro, Dança e Música FAFI, também no Centro de Vitória, nos dias 29 e 30 de
abril, com grande participação do público. Segundo Endi, o retorno foi bastante
positivo. “Muitos disseram que se emocionaram, que é algo diferente do que
estão acostumados a ver, uma perspectiva distinta de produzir dança”, comenta.
De acordo com a diretora, elementos como o
improviso, as performances e a integração de diferentes linguagens artísticas incluindo
artistas que cantam durante a apresentação têm chamado a atenção do público.
Pesquisa e processo criativo
A pesquisa que dá origem ao espetáculo parte do
conceito de “corpo dócil”, de Michel Foucault, entendido como um corpo moldado,
vigiado e disciplinado pela sociedade. Também dialoga com o conceito de “corpo
sem órgãos”, de Antonin Artaud, que propõe um corpo em rebelião contra estruturas
fixas, reinventando-se a partir do desejo.
A proposta de Célula é apresentar uma dança
de mutações: corpos que morrem para renascer, se dividem para multiplicar e se
dissolvem para reencontrar o próprio centro. O processo criativo foi
estruturado como um laboratório de pesquisa em dança contemporânea, articulando
práticas corporais, estudos teóricos e experimentações cênicas.
O ambiente de criação foi pautado pela escuta e
pela colaboração, reconhecendo cada participante como um território singular de
investigação e expressão. Em 27 de março, o espetáculo realizou um ensaio
aberto no Espaço Cultural Má Companhia, no Centro de Vitória, apresentando ao
público parte do material desenvolvido até então e promovendo um bate-papo
sobre o processo de criação.
A construção colaborativa começou ainda no fim de
2025, quando o projeto selecionou cinco intérpretes-criadores e uma auxiliar de
direção, todos atuando de forma remunerada.
Os participantes não precisavam ter formação prévia
em dança. Como forma de valorizar a diversidade e a inclusão, foram priorizadas
pessoas negras, indígenas, LGBTQIAPN+, gordas, com deficiência e maiores de 45
anos, que participaram de formações e encontros voltados à investigação de
práticas anticoloniais nas artes da cena.
Capixaba de Vitória e pessoa com deficiência pois
possui visão monocular, Endi desenvolve, desde 2016, uma pesquisa centrada no
corpo como campo de tensão entre opressão, libertação e imaginário, dialogando
com temas como performatividade, subjetividade, dissidências, espiritualidade e
futuridades.
Formada em Dança Contemporânea pela FAFI, com
passagem pelo curso de Licenciatura em Dança da Universidade Federal da Bahia,
Endi atua como diretora, roteirista e performer em mais de quinze obras. Também
possui formação técnica em Modelagem do Vestuário pelo Centro Estadual de
Educação Tecnológica Vasco Coutinho, além de estudos em figurino, roteiro,
videodança e processos de criação. Sua pesquisa artística se materializa em
obras que tensionam corpo, política e poética, criando experiências sensoriais
que investigam limites, fragilidades, rupturas e metamorfoses.
Serviço
Espetáculo de Dança Contemporânea “Célula”
Data: 13, 14 e 15 de maio, quarta a sexta-feira.
Horário: 19h
Local: Casa da Música Sônia Cabral, Praça João Clímaco, s/n - Centro, Vitória.
Entrada: Gratuita, sujeita à lotação do espaço. Recomenda-se chegar com 30 minutos de antecedência para retirada dos ingressos.
Acessibilidade: intérprete de Libras no primeiro dia; audiodescrição no
último; distribuição de protetores auriculares para pessoas com sensibilidade
auditiva.
Ficha técnica
Direção: Endi
Assistência de direção: Ruth Rangel
Elenco: Branú Soares, Davi Ramos, Diwarian Pêgo, Isabella do Rosário e
Makapon Puri
Produção: Thalia Peçanha
Cenário: Thiago Sobreiro
Figurino: Joelma Silva
Iluminação: André Stefson
Trilha sonora: Alessa Felix e Jenni Prélio (Doce Caseiro Duo)
Assessoria de imprensa: Elaine Dal Gobbo
Informações à imprensa:
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