Encontro reúne Pontos de Cultura indígena de Aracruz
Mais de 70 pessoas se reuniram na última quarta-feira (6) no Encontro de Pontos de Cultura Indígena do Território Tupinikim e Guarani, em Aracruz. Realizado pelo Pontão de Cultura Indígena Taba Okara, o evento teve como tema “Nosso território, nossa voz: onde estamos na Teia Nacional dos Pontos de Cultura?” e promoveu reflexões sobre a participação indígena na rede Cultura Viva. A programação reuniu artistas, artesãos, grupos culturais, representantes de Pontos de Cultura do território, Agentes Jovens Cultura Viva e delegados eleitos para a 6ª Teia Nacional. O encontro aconteceu na cabana da Associação Indígena Tupinikim e Guarani (AITG), sede do Pontão, e debateu a realização da Teia Nacional, que acontece entre os dias 19 e 23 de maio, em Aracruz, com expectativa de reunir cerca de 5 mil pessoas de todo o Brasil.
O Pontão de Cultura Taba Okara é gerido pela
Associação Indígena Tupinikim e Guarani (AITG) e integra a Política Nacional
Cultura Viva, contando com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB),
por meio de seleção no Edital nº 06/2024 – Fomento a Projetos Continuados de
Pontões de Cultura, com apoio do Ministério da Cultura (MinC) e da Secretaria
de Cultura do Espírito Santo (Secult).
Segundo levantamento do Pontão Taba Okara, o
território tem ao menos 17 Pontos de Cultura certificados, além de diversos
outros que atuam como tais, mas ainda não possuem reconhecimento oficial. Os
Pontos e Pontões de Cultura são pilares fundamentais da Política Nacional
Cultura Viva, política pública brasileira de base comunitária que visa
valorizar culturas populares, tradicionais e periféricas. A iniciativa busca
fomentar a diversidade cultural e o exercício de direitos culturais por meio da
articulação em rede.
A abertura das atividades contou com canções tradicionais
do povo guarani e seguiu com contribuições de Jocelino Tupinikim e Ará Martins,
que trouxeram um relato sobre todo o processo de construção do evento nacional
e os diálogos realizados em relação à participação do território e dos povos
indígenas nas atividades. É a primeira vez que o encontro nacional dos Pontos
de Cultura acontece fora de uma capital.
Bárbara Tupinikim, coordenadora do Taba Okara e
delegada eleita para a Teia Nacional, trouxe reflexões sobre “Pontos de Cultura
pela Justiça Climática”, tema definido pelo evento, que demanda contribuições
fundamentais dos povos originários. “Quem mora nos territórios indígenas e
periféricos são os primeiros a serem afetados. Mas várias pessoas estão
distantes dessa temática, até porque o próprio poder público não clama por
justiça climática. A gente precisa assumir a frente desse debate na Teia e
colocar para fora nosso grito pela justiça climática”, afirmou, destacando que
o território Tupinikim e Guarani sofre impacto direto e indireto de diversos
empreendimentos industriais.
Marcelo Guarani, do Ponto de Cultura Ka’agwy Porã,
também delegado eleito, ressaltou que os territórios indígenas mantêm a cultura
viva por meio de um processo de resistência e que, no caso de Aracruz, foi a
luta conjunta entre Tupinikins e Guaranis que garantiu a demarcação do
território, fundamental para a reprodução da vida e da cultura dos povos.
Debates
Durante o debate, os presentes manifestaram
preocupação diante da falta de informações e definições sobre as atividades nos
territórios indígenas e sobre a participação da população no evento, mesmo a
poucos dias do início do encontro.
Ainda assim, o Pontão Taba Okara, junto a outros
Pontos de Cultura e projetos culturais, está mobilizando recursos próprios e
planejando atividades para ocorrerem nas aldeias durante os dias de realização
da Teia Nacional. Também foi manifestada a preocupação em organizar uma boa
acolhida aos participantes de todo o Brasil e até do exterior que visitarão o
território durante o período do evento, pensando também na recepção e no
diálogo com outros povos indígenas que estarão presentes.
Os Agentes Jovens Cultura Viva também expuseram as
expectativas e os desafios encontrados para participar das atividades
formativas e implementar seu trabalho nas 12 aldeias da região.
Outro ponto importante trazido no Encontro de
Pontos de Cultura Indígena do Território Tupinikim e Guarani é que, durante a
Teia Nacional, está prevista uma reunião com diversas etnias para debater a
criação de um Plano Nacional de Cultura Indígena.
Diante da necessidade de avançar na construção de
propostas a serem apresentadas tanto para este plano quanto para a Política
Nacional Cultura Viva, foi definida a realização de uma Pré-Teia dos Pontos de
Cultura Indígena do Território Tupinikim e Guarani, no dia 18 de maio, na AITG.
O encontro reunirá novamente os agentes culturais e Pontos de Cultura para
preparar uma incidência coletiva e qualificada nesses espaços de grande
importância em nível nacional.
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