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Encontro reúne Pontos de Cultura indígena de Aracruz

Publicado em: 11/05/2026 15h42

Mais de 70 pessoas se reuniram na última quarta-feira (6) no Encontro de Pontos de Cultura Indígena do Território Tupinikim e Guarani, em Aracruz. Realizado pelo Pontão de Cultura Indígena Taba Okara, o evento teve como tema “Nosso território, nossa voz: onde estamos na Teia Nacional dos Pontos de Cultura?” e promoveu reflexões sobre a participação indígena na rede Cultura Viva. A programação reuniu artistas, artesãos, grupos culturais, representantes de Pontos de Cultura do território, Agentes Jovens Cultura Viva e delegados eleitos para a 6ª Teia Nacional. O encontro aconteceu na cabana da Associação Indígena Tupinikim e Guarani (AITG), sede do Pontão, e debateu a realização da Teia Nacional, que acontece entre os dias 19 e 23 de maio, em Aracruz, com expectativa de reunir cerca de 5 mil pessoas de todo o Brasil.

 

O Pontão de Cultura Taba Okara é gerido pela Associação Indígena Tupinikim e Guarani (AITG) e integra a Política Nacional Cultura Viva, contando com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio de seleção no Edital nº 06/2024 – Fomento a Projetos Continuados de Pontões de Cultura, com apoio do Ministério da Cultura (MinC) e da Secretaria de Cultura do Espírito Santo (Secult).

 

Segundo levantamento do Pontão Taba Okara, o território tem ao menos 17 Pontos de Cultura certificados, além de diversos outros que atuam como tais, mas ainda não possuem reconhecimento oficial. Os Pontos e Pontões de Cultura são pilares fundamentais da Política Nacional Cultura Viva, política pública brasileira de base comunitária que visa valorizar culturas populares, tradicionais e periféricas. A iniciativa busca fomentar a diversidade cultural e o exercício de direitos culturais por meio da articulação em rede.

 

A abertura das atividades contou com canções tradicionais do povo guarani e seguiu com contribuições de Jocelino Tupinikim e Ará Martins, que trouxeram um relato sobre todo o processo de construção do evento nacional e os diálogos realizados em relação à participação do território e dos povos indígenas nas atividades. É a primeira vez que o encontro nacional dos Pontos de Cultura acontece fora de uma capital.

 

Bárbara Tupinikim, coordenadora do Taba Okara e delegada eleita para a Teia Nacional, trouxe reflexões sobre “Pontos de Cultura pela Justiça Climática”, tema definido pelo evento, que demanda contribuições fundamentais dos povos originários. “Quem mora nos territórios indígenas e periféricos são os primeiros a serem afetados. Mas várias pessoas estão distantes dessa temática, até porque o próprio poder público não clama por justiça climática. A gente precisa assumir a frente desse debate na Teia e colocar para fora nosso grito pela justiça climática”, afirmou, destacando que o território Tupinikim e Guarani sofre impacto direto e indireto de diversos empreendimentos industriais.

 

Marcelo Guarani, do Ponto de Cultura Ka’agwy Porã, também delegado eleito, ressaltou que os territórios indígenas mantêm a cultura viva por meio de um processo de resistência e que, no caso de Aracruz, foi a luta conjunta entre Tupinikins e Guaranis que garantiu a demarcação do território, fundamental para a reprodução da vida e da cultura dos povos.

 

Debates

 

Durante o debate, os presentes manifestaram preocupação diante da falta de informações e definições sobre as atividades nos territórios indígenas e sobre a participação da população no evento, mesmo a poucos dias do início do encontro.

 

Ainda assim, o Pontão Taba Okara, junto a outros Pontos de Cultura e projetos culturais, está mobilizando recursos próprios e planejando atividades para ocorrerem nas aldeias durante os dias de realização da Teia Nacional. Também foi manifestada a preocupação em organizar uma boa acolhida aos participantes de todo o Brasil e até do exterior que visitarão o território durante o período do evento, pensando também na recepção e no diálogo com outros povos indígenas que estarão presentes.

 

Os Agentes Jovens Cultura Viva também expuseram as expectativas e os desafios encontrados para participar das atividades formativas e implementar seu trabalho nas 12 aldeias da região.

 

Outro ponto importante trazido no Encontro de Pontos de Cultura Indígena do Território Tupinikim e Guarani é que, durante a Teia Nacional, está prevista uma reunião com diversas etnias para debater a criação de um Plano Nacional de Cultura Indígena.

 

Diante da necessidade de avançar na construção de propostas a serem apresentadas tanto para este plano quanto para a Política Nacional Cultura Viva, foi definida a realização de uma Pré-Teia dos Pontos de Cultura Indígena do Território Tupinikim e Guarani, no dia 18 de maio, na AITG. O encontro reunirá novamente os agentes culturais e Pontos de Cultura para preparar uma incidência coletiva e qualificada nesses espaços de grande importância em nível nacional.

 

 

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