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SECULT - Secretaria da Cultura

Do Congo ao Espírito Santo: formação do Lugares de Ler debate cosmologias africanas e leitura antirracista

Publicado em: 01/06/2026 16h06

O projeto Lugares de Ler promoveu uma formação voltada aos agentes de leitura e à equipe da iniciativa com o tema “Saberes e Sabores da Literatura Africana como Pesquisador: Cosmologias Africanas e Leitura”, conduzida pelo pesquisador congolês Abraão Nicodemos Chanhino Ndjungu. O encontro reuniu reflexões sobre ancestralidade, oralidade, memória e outras formas de compreender a leitura e a produção de conhecimento a partir das cosmologias africanas.

Nascido na República Democrática do Congo, criado em Angola e atualmente radicado no Brasil, Abraão Ndjungu é pedagogo, mestre em Educação e doutorando em Educação pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Seus estudos investigam as relações entre currículo, memória e colonialidade do saber, com foco na valorização das epistemologias africanas e afro-brasileiras nos espaços educativos.

Durante a formação, o pesquisador apresentou perspectivas da cosmologia bantu-kongo e do pensamento filosófico de Ifà, abordando a leitura como uma experiência que ultrapassa a palavra escrita. A proposta discutiu maneiras de “ler o mundo” por meio da observação da natureza, da ancestralidade, dos símbolos, dos provérbios e das práticas culturais presentes nas tradições africanas.

Ao longo do encontro, a oralidade foi destacada como uma das principais formas de preservação e circulação de saberes. Contos, cantos e provérbios foram apresentados como “bibliotecas vivas”, capazes de transmitir memórias, valores e conhecimentos entre gerações.

Outro ponto debatido foi a dimensão coletiva da leitura nas culturas africanas. Diferente da lógica individualizada predominante nas tradições ocidentais, a formação trouxe a leitura como prática compartilhada, vivenciada em rodas, encontros comunitários, celebrações e espaços de convivência.

A atividade também ampliou a compreensão sobre os chamados “lugares de ler”, reconhecendo bibliotecas comunitárias, quilombos, terreiros, escolas, territórios periféricos e experiências cotidianas como espaços legítimos de produção e circulação de conhecimento.

Segundo o projeto, a formação reforça o papel dos agentes de leitura como mediadores culturais capazes de promover práticas mais inclusivas, contextualizadas e conectadas às identidades e vivências das comunidades onde atuam.

O encontro integrou o processo formativo contínuo do Lugares de Ler, que é uma realização da Secretaria da Cultura (Secult), por meio da Biblioteca Pública do Espírito Santo (BPES), em parceria com o Instituto Raízes, selecionado via chamamento público. A iniciativa conta com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura, e integra as ações do programa Estado Presente em Defesa da Vida, voltado a regiões com altos índices de vulnerabilidade social.

 

Informações à Imprensa:

Assessoria de Comunicação da Secult

Tati Beling / Danilo Ferraz / Karen Mantovanelli

Telefone: (27) 3636-7110 / 3636-7111

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Assessoria de Comunicação Lugares de Ler

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