Ailton Krenak reforça debate sobre justiça climática durante visita à Teia Nacional
“A terra tem todas as respostas”. Foi com essa reflexão que
o ambientalista e filósofo Ailton Krenak participou, na última quinta-feira
(22), da visita à exposição Você Já Escutou a Terra?, com a presença da
ministra da Cultura, Margareth Menezes, do secretário de Estado da Cultura,
Fabricio Noronha, e da curadora Karen Worcman. A mostra foi parte da
programação cultural da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, promovida pelo
Ministério da Cultura (MinC), em Correalização com a Secretária da Cultura do
Espírito Santo (Secult), em Aracruz (ES).
Com uma proposta sensorial e imersiva, a exposição convida o
público a refletir sobre a relação entre humanidade, natureza, memória e
território a partir de uma perspectiva biocêntrica, que reconhece todas as as
formas de vida como igualmente valiosas. A visita aconteceu
Sons da vida
Um dos destaques da mostra é o Manto, peça central construída
coletivamente por comunidades e organizações culturais de diferentes regiões do
Brasil. A obra foi confeccionada com resíduos reutilizados e tecidos costurados
em processos colaborativos, transformando materiais descartados em símbolos de
memória, pertencimento e continuidade. “São estes resíduos que chamamos de
“lixo”. São centenas de tirinhas de copos de plástico como os que me
ofereceram”, comparou.
Na parte dedicada às pesquisas e reflexões curatoriais,
Karen Worcman ressaltou a importância de pensar a justiça climática como um
tema inseparável da vida humana e da preservação dos territórios. Durante a
visita, a curadora citou estudos da arqueóloga e antropóloga Lyn Wadley,
pesquisadora reconhecida internacionalmente pelas escavações realizadas na
caverna Sibudu, na África do Sul, onde foram encontrados registros feitos com
carvão há aproximadamente 80 mil anos.
A comparação foi utilizada para provocar uma reflexão sobre
a permanência dos resíduos produzidos atualmente pela humanidade. “Se um registro
de fogo e carvão consegue se manter evidente por tanto tempo, imagina um copo
plástico ou resíduo que o homem moderno utiliza e descarta todos os dias?”,
observou a curadora.
A exposição também incorpora elementos ligados à escuta
profunda e à valorização das histórias de vida dos territórios brasileiros, com
a etapa Museu da Pessoa. Segundo os organizadores, o objetivo é estimular o
público a ouvir não apenas as pessoas, mas também os rios, as florestas, os
silêncios e os impactos ambientais produzidos pelas cidades contemporâneas.
Teia Nacional
A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura reúne agentes
culturais, coletivos, mestres e mestras das culturas populares, povos
tradicionais, representantes da sociedade civil e gestores públicos de todas as
regiões do Brasil.
O evento é uma realização do Ministério da Cultura, do
Governo do Estado do Espírito Santo, da Prefeitura de Aracruz e da Comissão
Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC), em parceria com o Instituto Federal do
Espírito Santo (Ifes), o Sesc, Unesco e o programa IberCultura Viva.
Fonte: Ministério da Cultura.
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