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Ailton Krenak reforça debate sobre justiça climática durante visita à Teia Nacional

Publicado em: 25/05/2026 10h10

“A terra tem todas as respostas”. Foi com essa reflexão que o ambientalista e filósofo Ailton Krenak participou, na última quinta-feira (22), da visita à exposição Você Já Escutou a Terra?, com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, do secretário de Estado da Cultura, Fabricio Noronha, e da curadora Karen Worcman. A mostra foi parte da programação cultural da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, promovida pelo Ministério da Cultura (MinC), em Correalização com a Secretária da Cultura do Espírito Santo (Secult), em Aracruz (ES).

 

Com uma proposta sensorial e imersiva, a exposição convida o público a refletir sobre a relação entre humanidade, natureza, memória e território a partir de uma perspectiva biocêntrica, que reconhece todas as as formas de vida como igualmente valiosas. A visita aconteceu

 

Sons da vida

 

Um dos destaques da mostra é o Manto, peça central construída coletivamente por comunidades e organizações culturais de diferentes regiões do Brasil. A obra foi confeccionada com resíduos reutilizados e tecidos costurados em processos colaborativos, transformando materiais descartados em símbolos de memória, pertencimento e continuidade. “São estes resíduos que chamamos de “lixo”. São centenas de tirinhas de copos de plástico como os que me ofereceram”, comparou.

 

Na parte dedicada às pesquisas e reflexões curatoriais, Karen Worcman ressaltou a importância de pensar a justiça climática como um tema inseparável da vida humana e da preservação dos territórios. Durante a visita, a curadora citou estudos da arqueóloga e antropóloga Lyn Wadley, pesquisadora reconhecida internacionalmente pelas escavações realizadas na caverna Sibudu, na África do Sul, onde foram encontrados registros feitos com carvão há aproximadamente 80 mil anos.

 

A comparação foi utilizada para provocar uma reflexão sobre a permanência dos resíduos produzidos atualmente pela humanidade. “Se um registro de fogo e carvão consegue se manter evidente por tanto tempo, imagina um copo plástico ou resíduo que o homem moderno utiliza e descarta todos os dias?”, observou a curadora.

 

A exposição também incorpora elementos ligados à escuta profunda e à valorização das histórias de vida dos territórios brasileiros, com a etapa Museu da Pessoa. Segundo os organizadores, o objetivo é estimular o público a ouvir não apenas as pessoas, mas também os rios, as florestas, os silêncios e os impactos ambientais produzidos pelas cidades contemporâneas.

 

 

Teia Nacional

 

A 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura reúne agentes culturais, coletivos, mestres e mestras das culturas populares, povos tradicionais, representantes da sociedade civil e gestores públicos de todas as regiões do Brasil.

 

O evento é uma realização do Ministério da Cultura, do Governo do Estado do Espírito Santo, da Prefeitura de Aracruz e da Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC), em parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), o Sesc, Unesco e o programa IberCultura Viva.

 

Fonte: Ministério da Cultura.

 

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