08/09/2021 09h53 - Atualizado em 09/09/2021 14h52

Galeria Homero Massena: mostra ‘Videografias do Convívio’ será exibida on-line e pela TVE em setembro

Mostra acontecerá pelas redes sociais da Secult e da Galeria e terá transmissão exclusiva pela TVE, todas as quintas-feiras de setembro.

Durante as quintas-feiras do mês de setembro, o público vai poder conferir de casa diversas produções audiovisuais de artistas que discutem as possibilidades da arte, por meio da linguagem videográfica. Nesta 3ª edição, a mostra “Videografias do Convívio” propõe como temática a produção do audiovisual no campo da arte e a larga exibição, além da relevância institucional que tem na contemporaneidade.

A mostra começa na quinta-feira (09) e será exibida nas redes sociais da Secretaria da Cultura (Secult) e da Galeria Homero Massena (GHM), com transmissão exclusiva pela TV Educativa (TVE), sempre às 23 horas.

As obras abordam temas, como casa-tempo, corpo-espaço, cotidiano-lembrança e território-cultura, selecionadas a partir da Chamada Pública aberta pela Galeria, em maio deste ano.

“A imposição do distanciamento social pela pandemia nos obrigou a pensar em novas sociabilidades, expressividades e afetividades: uma nova reorganização do convívio. Qual nossa perspectiva de futuro? Como tomamos partido de um senso de sociedade, comunidade e cooperatividade, em que fortalecer a existência de nós mesmos fortalece a existência do outro?", questiona o coordenador da Galeria Homero Massena, Nicolas Soares. 

Confira a programação:

PROGRAMA #1

CASA-TEMPO

O primeiro bloco reflete sobre as relações entre CASA E TEMPO, considerando o espaço doméstico como o âmbito mais íntimo do sujeito. Por outro lado, é também no interior da casa que se elaboram os sensos de comunidade, que transitam do privado ao público e reverberam na cultura de uma sociedade.

Serão apresentados os vídeos “Acervos compartilhados”, do Duo Furtacor, “A Casa Entre o Rio e o Mar”, de Diego Ramos, “A chuva (after ivens)”, de Jaks, e, “Por dentro, selvagem”, de Liliana Sanches.

Duo Furtacor – “Acervos Compartilhados”, dos artistas Lindomberto Ferreira Alves e Amanda Amaral, é um vídeo em preto e branco, ambientado no espaço interno de uma casa. A relação entre espaço doméstico e colecionismo é apresentada de forma a entendermos os pequenos arranjos de objetos como prática curatorial, independentemente de seu estatuto de arte. A casa pode ser o lugar onde a coleção se instaura e, também, o espaço em que temos nos tornado cada vez mais íntimos, em tempos de refreamento social.

O vídeo “A Casa Entre o Rio e o Mar”, de Diego Ramos, trata a memória como se fosse um tecido que une diferentes tempos e espaços. A memória é recriada a todo instante, é imaterial, fluída e móvel como o ciclo das águas. As imagens do curso de um rio são sobrepostas no interior de uma casa abandonada e nos propõe ver as memórias daquela casa em ruínas.

“A chuva (after ivens)”, da artista Jaks, apresenta uma série de planos parados onde a intenção é evocar a interação entre duas personagens: uma escritora e a protagonista, de nome Odeth. O diálogo entre a chuva e as personagens nos provoca a sensação de introspecção, que no vídeo reflete em como convivemos com nosso próprio eu, da superfície ao interior. O título faz referência ao curta-metragem “Rain”, de 1929, dirigido pelo cineasta Joris Ivens.

Em “Por dentro, selvagem”, vídeo da artista Liliana Sanches, a projeção da imagem da paisagem de um mar selvagem numa tempestade parece residir na memória. Neste momento em que nos encontramos isolados, solitários. Como a artista nos apresenta, a contemplação dessa cena poderia revolver nossos afetos, angústias e saudades.

COTIDIANO-LEMBRANÇA

No segundo bloco do nosso programa, nos atentaremos às relações entre COTIDIANO-LEMBRANÇA, por meio do vídeo de Charles Cunha, “Tô indo e não consigo sair do lugar”. O vídeo se forma a partir de um compilado de imagens feitas pelo artista durante o isolamento social registrado em tempos diversos e em situações tragicômicas do cotidiano. A narrativa se completa com fragmentos de áudios trocados entre ele e suas irmãs, apresentado quase linearmente. Suprimida a voz do artista na resposta dos áudios, suas irmãs conversam sobre como estão se sentindo, motivação, angústias, medos, felicidades, incertezas, desejos, tristezas, saudades, afetos, vida e morte.


PROGRAMA #2

TERRITÓRIO-CULTURA 

O segundo programa reflete sobre as relações entre TERRITÓRIO e CULTURA, a partir dos trabalhos do artista Wayner Tristão, com o vídeo “Às moscas”, uma animação que conta a história de uma cidade que vê seus hábitos mudarem ao ser invadida por insetos. Esteticamente, arranhões na tela e no áudio provocam ruídos do sintoma dos mosquitos que tomam conta.

Ainda sobre o mesmo eixo temático, a artista Sulamita apresenta o vídeo “Oribatã Cuieté”, que tem na floresta seu foco, traduzindo a ideia que pela lembrança do passado teremos a teremos a perspectiva de futuro. O vídeo é inspirado no trabalho do amazonense Roberto Evangelista Mater Dolorosa II (1978).

Matheus Borges, apresenta na mostra o vídeo, “Sintoma”, um curta documentário experimental que começou a ser produzido em 2020, poucos meses após o início da pandemia. Ele cria uma relação entre imagens urbanas da cidade de Vitória com áudios de propagandas publicitárias veiculadas na década de 60, no início da ditadura. Os áudios escolhidos retomam, por exemplo, ao presidente Costa e Silva e seu vice na reunião que instituiu o AI5 em 1968. Traçando esse paralelo entre imagem e som, o artista relaciona os dois períodos históricos. 
CORPO-ESPAÇO

No segundo bloco do nosso programa, nos atentaremos às relações entre CORPO e ESPAÇO, por meio dos vídeos “Corpo-fronteira”, da artista Marcela Cavallini, que reflete sobre o desmatamento ambiental e um corpo sociopolítico que se encontra cada vez mais em isolamento. Já o vídeo de Rejane Arruda (foto), “Resposta a Bataille”¸ o autor em questão, o francês George Bataille, é citado pela artista, na intenção de engatilhar reflexões sobre um relacionar-se "consigo mesmo"; especialmente na solidão-isolamento-distância.

CASA-TEMPO

Yurie Yaginuma nos apresenta “O apartamento de m”. um curto vídeo que explora o espaço de um apartamento desabitado. A paisagem deste lugar, que oscila entre a ocupação e o vazio, o abandono e o cuidado, apresenta também espectros de alguma presença anterior: um tênis, uma cama arrumada, plantas ressecadas, objetos sobre a mesa... assim como do tempo e da vida, na poeira ou numa pequena aranha que sobe pela pia da cozinha. Assim como começa a ser habitado também pela figura de um sonho narrado na faixa sonora do vídeo. A artista então quer nos propor que percebamos o amplo trabalho do cuidado.

 

PROGRAMA #3

CORPO-ESPAÇO 

No terceiro programa, voltaremos ao eixo temático CORPO-ESPAÇO, e, em sequência, apresentaremos os vídeos do eixo COTIDIANO-LEMBRANÇA.

Em CORPO-ESPAÇO, iniciaremos com o trabalho de Ana Ximenes, “Exílio”, uma vídeo-performance em que a artista tricota em volta de seu corpo uma rede com fio de malha vermelho. Relacionando o isolamento social de agora ao isolamento cultural do corpo gordo. Em seguida, assistiremos ao vídeo-performance do artista Marcelo Venzon, “Diagrama de momento”, em que o diálogo de dois corpos é intermediado por uma viga de gesso e a manipulação do objeto antecipa o fracasso do encontro entre os dois.

COTIDIANO-LEMBRANÇA

No nosso segundo bloco, refletiremos sobre COTIDIANO e LEMBRANÇA, a partir dos vídeos de Bruno Miranda, intitulado “(De)Pressão”, em um único plano da imagem estática do cozimento do feijão em uma panela de pressão. O vídeo discute a partilha e a confraternização no interior de uma família. Em seguida, o artista Fagner Fabrete, no vídeo “Querido Fagner”, reflete, por meio da escrita, as memórias pessoais do passado, para que esteja no presente discutindo as sobrevivências até aqui. O convívio da família também é ilustrado por um evento cotidiano apresentado por João Giry, em seu vídeo “Brigadeiro”, um recorte visual focado no afeto em que o encontro para comer brigadeiro de colher é capaz de proporcionar. É um filme pessoal, íntimo e orgânico.


PROGRAMA #4

COTIDIANO-LEMBRANÇA

No quarto programa, voltaremos ao eixo temático COTIDIANO-LEMBRANÇA. Apresentaremos o trabalho “A voz que a saudade tem”, da artista Esther Almeida Borges, em que documenta em vídeo o cotidiano da família, elaborando o luto da perda do pai devido às complicações pela Covid-19. Por meio de áudios do pai, a presença é reivindicada no dia-a-dia da família.

Em sequência, o vídeo “Objeto saudade”, da artista Amanda Amaral, reúne uma série de documentos e fotografias que foram correspondidas por uma família durante os anos de 1950 a 1970 na cidade de Vitória. Chamado de filme-texto-ruína pela artista, o vídeo tem o objetivo de alcançar outro tempo por meio das sobreposições de narrativas que podem emergir em uma imagem.

Também assistiremos a “Você estava lá”, de Rafaela Stein, que propõe pensar o convívio a partir da ausência, do luto. A percepção do contato, da convivência, do partilhar, com a ausência e a falta. O trabalho procura refletir estas questões partindo de uma narrativa sensível sobre o conviver e a perda.

CORPO-ESPAÇO,

O vídeo-dança “SYNC”, da artista e bailarina Gabriela Morondo, com participação do bailarino Maicom Souza, coreografados pela eslovaca Eva Urbanová. Corpos em movimento que se relacionam entre si, mas propõe um jogo dinâmico entre câmera, som e luz.

 

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