2º Fórum Nacional de Gestores de Cultura Viva consolida política cultural de base comunitária na 6ª Teia Nacional
Integrando a
programação da 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, o 2º Fórum Nacional de
Gestores de Cultura Viva reúne representantes do poder público e da sociedade
civil em um espaço estratégico de articulação federativa e construção coletiva
de diretrizes para a Política Nacional de Cultura Viva (PNCV). O encontro
reafirma a Cultura Viva como política de base comunitária, estruturada na
gestão compartilhada, na participação social e na atuação em rede nos
territórios.
A abertura realizada
nesta terça-feira (19) foi marcada pela convergência em torno de um desafio
central: fortalecer a articulação entre União, estados e municípios, garantindo
a consolidação da política dentro do Sistema Nacional de Cultura (SNC). Nesse
contexto, a governança compartilhada e o protagonismo da sociedade civil foram
apontados como elementos estruturantes.
Durante a mesa, a
secretária de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Márcia
Rollemberg, destacou o papel da política nesse arranjo. “A Cultura Viva é rede
e se constrói na gestão compartilhada, afirmando os direitos culturais como direitos
fundamentais dentro do Sistema Nacional de Cultura”, afirmou.
A mesma perspectiva
foi reforçada por diferentes participantes. O diretor de Políticas de Cultura
Viva do MinC, João Pontes, destacou que “a Política Cultura Viva tem a
sociedade civil como protagonista da sua execução e da construção da sua
governança”, enquanto o secretário de Cultura do Espírito Santo, Fabrício
Noronha, enfatizou: “A sociedade civil é o elo fundamental, pois não existe
política pública sem a participação social. E a força da Cultura Viva está na
pactuação em rede e na construção coletiva”.
Gestão compartilhada e
pactuação federativa
Ao tratar da
institucionalização da política, o diretor do Sistema Nacional de Cultura
(SNC), Júnior Afro, ressaltou o momento atual de consolidação. “A Cultura Viva
se consolida como uma política federativa vinculada ao Sistema Nacional de
Cultura, que é, essencialmente, um sistema de pactuação”, afirmou. Já a
coordenadora-Geral de Governança Interna da Subsecretaria de Gestão
Estratégica, Letícia Nery destacou o papel do planejamento estratégico,
apontando que o Plano Nacional de Cultura organiza as políticas públicas a
longo prazo.
O caráter formativo e
estratégico do Fórum também foi ressaltado pelo presidente da Rede Nacional de
Gestores Municipais de Cultura, David Terra, “o Fórum é um espaço de formação e
construção de soluções, para que a política chegue de fato aos territórios”. Na
mesma linha, o representante da Comissão Nacional dos Pontos e Pontões de
Cultura, Davy Alexandrisk, destacou a necessidade de aprofundar o pacto
federativo e ampliar a institucionalização da Cultura Viva nos territórios.
No campo da
implementação, o crescimento da política trouxe novos desafios. A coordenadora
de Planejamento e Sistemas Cultura Viva, Carolina Freitas, destacou que a
ampliação do Cadastro Nacional de Pontos de Cultura exige atenção à qualidade
dos processos. “A gente ampliou significativamente os pontos de cultura, mas o
desafio agora é garantir qualidade com participação social e reconhecimento
territorial”, afirma.
Construção nos
territórios
Esse debate se
conecta diretamente à necessidade de qualificar a produção de informações sobre
a cultura, como pontuou a coordenadora-Geral de Informações e Indicadores
Culturais, Sofia Metteheim. “Não dá para pensar em indicadores sem participação
social, os dados precisam ser construídos de baixo para cima, com os
territórios”.
Ao ampliar o olhar
sobre a política cultural, o diretor de Culturas Populares e Tradicionais, Tião
Soares trouxe a centralidade da ancestralidade e dos saberes tradicionais. Para
ele, reconhecer esses conhecimentos é fundamental para a própria estrutura das
políticas públicas: “Os conhecimentos ancestrais precisam ser reconhecidos como
centrais nas políticas culturais, enfrentando a invisibilização histórica das
culturas populares”.
A fala também
conectou cultura, justiça social e sustentabilidade, reforçando que o
fortalecimento da Cultura Viva passa pelo enfrentamento de desigualdades
estruturais e pelo reconhecimento das práticas culturais enraizadas nos
territórios.
A secretária de
Articulação Federativa e Comitês de Cultura do MinC, Roberta Martins, trouxe
uma provocação estratégica sobre o futuro da política: “Precisamos assumir o
compromisso de pensar onde a Cultura Viva estará daqui a dez anos e como ela
pode contribuir para uma sociedade mais igual e mais feliz”.
Ao longo do encontro, os participantes evidenciam que a consolidação da Cultura Viva depende do fortalecimento da pactuação federativa, da ampliação da participação social e da qualificação dos instrumentos de gestão, financiamento e monitoramento. Mais do que um espaço de troca, o Fórum se afirma como um ambiente de construção coletiva, onde diferentes vozes contribuem para pensar o presente e projetar o futuro da política cultural no Brasil.
Teia Nacional
A 6ª Teia Nacional
dos Pontos de Cultura reúne agentes culturais, coletivos, mestres e mestras das
culturas populares, povos tradicionais, representantes da sociedade civil e
gestores públicos de todas as regiões do Brasil.
O evento é uma
realização do Ministério da Cultura, do Governo do Estado do Espírito Santo,
por meio da Secretaria da Cultura (Secult), da Prefeitura de Aracruz e da
Comissão Nacional dos Pontos de Cultura (CNPdC), em parceria com o Instituto
Federal do Espírito Santo (Ifes), o Sesc, Unesco e o programa IberCultura Viva.
Fonte: Ministério da Cultura
(MinC).
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