EWÉ KÀWÉ reúne ancestralidade, cultura e natureza em Acampamento de Axé no litoral sul capixaba
Nos dias 7 e 8 de novembro, a Casa Roxa Cultural realiza a segunda edição do “EWÉ KÀWÉ — Caminhos Verdes: Acampamento de Axé”, um encontro ecocultural voltado para comunidades de matriz africana, juventudes, artistas, educadores e famílias. A programação acontece em Estância Vargas, em Marataízes, de forma gratuita e tem como proposta acolhimento, convivência próxima com a natureza, educação antirracista, valorização da ancestralidade e respeito à diversidade religiosa.
O centro cultural vai disponibilizar um ônibus para levar os participantes, com embarque previsto para às 14 horas do dia 7 de novembro, no Império de Cobra Coral, em Acapulco. A iniciativa é contemplada pelo Edital n° 01/2026 – Circulação e Intercâmbio, da Secretária da Cultura (Secult), com recursos do Fundo de Cultura do Estado do Espírito Santo (Funcultura).
Dois dias de experiências ecoculturais
O encontro integra dois projetos culturais distintos, realizados em dias complementares. No sábado, a programação inclui encontros sobre consciência, meio ambiente e patrimônio, com Guilherme Nascimento; territórios de axé e resistência cultural, com Bruno Motta; trançados, turbantes e identidade afro-brasileira, com Natália Santos; e oficina com ervas e trilha ancestral, com participação do Babalorixá Adriano de Xangô. Intervenções artísticas com grupos convidados, encerramento ancestral com lideranças religiosas, alimentação e pernoite integram a convivência coletiva.
No domingo, as atividades continuam com vivências ambientais e ancestrais, diálogos sobre sustentabilidade e racismo ambiental, folhas sagradas, expressões artísticas afro-brasileiras e momentos de confraternização. O contato com a natureza aproxima saberes tradicionais, memória coletiva e a defesa de um meio ambiente equilibrado.
Estado laico, educação e respeito
“Há quem confunda o ensino das culturas afro-indígenas com imposição ideológica. Mas conhecer quem é Exu, quem é Tupã, compreender os orixás e as divindades indígenas não significa obrigar ninguém a seguir uma crença. Significa ensinar história, cultura e identidade brasileira. A liberdade de cátedra, o pluralismo de ideias e a laicidade do Estado precisam ser respeitados. A escola pública e os serviços públicos devem atender a todos, independentemente de religião. Conhecer não é converter. Nosso acampamento existe para lembrar a cada filho e filha de axé que sua história tem valor, que sua fé merece respeito e que sua presença na sociedade é um direito” explica Guilherme Nascimento, proponente da etapa estadual.
“Ter uma iniciativa de matriz africana aprovada em um território ainda tão conservador e tradicionalista é uma vitória. Estamos muito felizes em realizar mais uma edição em parceria com o Império de Cobra Coral e agradecemos especialmente ao Babalorixá Adriano de Xangô pela parceria. Se existe apoio público para a Marcha para Jesus, também deve existir espaço e apoio para o Acampamento de Axé e outras manifestações de matriz africana. Isso é fortalecer o Estado laico e compreender que a cultura precisa ser democrática, diversa e descentralizada” esclarece Juciane de Souza Nascimento, proponente da etapa municipal
O encontro afirma que o respeito às religiões de matriz africana não se opõe a outras crenças: é parte da garantia constitucional de liberdade religiosa e igualdade de direitos. As atividades valorizam conhecimentos afro-brasileiros, expressões culturais, cuidado ambiental e a presença das comunidades tradicionais nos espaços públicos.
Serviço
EWÉ KÀWÉ — Caminhos Verdes: Acampamento de Axé, 2ª edição.
Data: 07/11 (sábado) e 08/11 (domingo)
Local: Estância Vargas, região do Penedo, Marataízes
Embarque: Sábado (07), às14h, no Império de Cobra Coral, Acapulco - Marataízes
Participação gratuita com organização prévia
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