Menu

SECULT Secretaria da Cultura

SECULT - Secretaria da Cultura

Livro DEVORAÇÕES será lançado no Mucane no dia 26 de outubro

Publicado em: 17/10/2018 16h25 - Atualizado em: 17/10/2018 16h26
ddddd-1

De autoria coletiva e resultado de uma imersão artística realizada em junho deste ano, a publicação traz produções visuais, relatos, textos reflexivos e poéticos que visam desnaturalizar os gêneros, os sexos e as raças

Ressignificar os corpos, equivocar os gêneros, devorar o opressor e, antropofagicamente, recriar-se para manter-se vivo numa sociedade patriarcal, heteronormativa, misógina, racista e LGBTTfóbicas, essas são investidas que estão presentes no livro Devorações - Descolonizando corpos, desejos e escritas, obra que conta com organização da artista e terrorista de gêneros racializados Castiel Vitorino Brasileiro. A publicação será lançada no próximo dia 26 de outubro, no Museu Capixaba do Negro - Verônica da Pas, em Vitória, e conta a participação de 33 coautoras e artistas convidadas.

O livro Devorações é uma das ações do projeto homônimo que realizou sua etapa imersiva em junho deste ano. Durante dois finais de semana, as participantes e cocriadoras da publicação se lançaram em investigações racionais e sensitivas para subverter o saber colonizado sobre os LGBTT+. O resultado desse trabalho coletivo busca denunciar e destruir  racismos, misoginias, LGBTTfobias e outras violências impostas aos corpos não-brancos e desobedientes de gêneros racializados ao longo da história da colonização no Brasil.

  O universitário Gelson Vieira foi um dos participantes da Imersão Devorações e conta que se inscreveu nas oficinas interessado em discutir descolonização das formas de afetar e de ser afetado pelo outro: “Isso me interessa na medida que tenho procurado a criar novas linhas de fugas no que tange às relações corporais. O que me surpreendeu foi a percepção na pele de como nossos desejos são construídos sobre pilares que não escolhemos e sim a partir de uma imposição de um processo de subjetivação hegemônico, talvez daí que venha a proposta de descolonizar, romper com a hegemonia afetiva e de troca. A oficina me afeta nesse sentido me apontando os porquês dos travamentos correntes, diante de corpos que aprendi a não tocar, sentir e desejar”.

Idealizadora e coordenadora do projeto Devorações, Castiel Vitorino Brasileiro explica como se deu essa criação coletiva: “Devorar significa comer e destruir. E, por três dias comemos conhecimento, destruímos teorias, vomitamos verdades, coletivizamos dores e deleites, desnaturalizamos identidades, e reconstruímos a história, mundos, desejos, pensamentos e corporeidades. Foram momentos de recentralizar-mos no Sul global, a fim de compreender e produzir autonomia em nossas narrativas, que por sua vez são marcadas por experiências de crimes, massacres, extermínios e golpes contra nossa vida, mas também feita de risadas debochadas, gargalhadas, criatividades e felicidades”.

A revanche debochada contra a branquitude colonial

Fazendo uso de linguagens como a literatura debochada, os autorretratos ficcionais, com conteúdo explícito de transviadagem e não autorizado pela branquidade cisgênera, o projeto Devorações denuncia as políticas de morte e às violências impostas aos corpos e subjetividades não-brancas e não-heterossexuais que compõem a população brasileira. Trata-se de uma resposta raivosa, uma desobediência colonial debochada e artística a essas violências, uma contestação que se alimenta da continuidade do fluxo de ressignificações de injúrias a partir de estratégias de afirmação da vida na diferença.

Por compreender a importância de discutir essas temáticas fazendo uso de ferramentas da arte e por perceber que o sistema artístico também contribui para a atualização de racismos, misoginias e LGBTTfobias, o Devorações conta com os trabalhos de artistas e cocriadores que materializarem todos esses questionamentos em suas obras - artes marginais, autônomos, acadêmicos, empobrecidos, deslegitimados, desacreditados, injustiçados - pois, dessa forma, é possível produzir corpos, relações e temporalidades mais saudáveis e decolonizadas.  

SERVIÇO

Lançamento do livro DEVORAÇÕES - Descolonizando corpos, desejos e escritas

Dia 26 de outubro de 2018, às 19 horas

Museu Capixaba do Negro

Av. República, 121 - Centro, Vitória - ES

O livro terá distribuição gratuita para as participantes das oficinas e será vendido ao público em geral por R$40. O valor arrecadado com a venda do livro será investido na produção da segunda edição do Devorações.


Ficha Técnica  livro DEVORAÇÕES - Descolonizando corpos, desejos e escritas

Castiel Vitorino Brasileiro - Coordenação Geral

Rodrigo Jesus  - Produção

Napê Rocha - Revisão

Luara Monteiro - Fotografia e Projeto Gráfico

Paulo Gois - Assessoria de Comunicação

Kika Carvalho - Capa