36ª Bienal de São Paulo chega a Vitória e ocupa pela primeira vez o Cais das Artes
A 36ª Bienal de São Paulo – Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática chega a Vitória, no Espírito Santo, e fica em cartaz de 30 de outubro a 17 de janeiro de 2027. A mostra itinerante ocupa o Cais das Artes, complexo cultural projetado por Paulo Mendes da Rocha com o escritório Metro Arquitetos e cujo museu foi inaugurado em abril deste ano, marcando a primeira vez que a Fundação Bienal leva uma exposição ao espaço.
Com curadoria de Keyna Eleison, cocuradora at large da 36ª edição, a seleção reúne trabalhos de 14 artistas apresentados no Pavilhão Ciccillo Matarazzo em 2025: Adama Delphine Fawundu, Akinbode Akinbiyi, Camille Turner, Gervane de Paula, Hamedine Kane, Leo Asemota, Malika Agueznay, María Magdalena Campos-Pons, Marlene Almeida, Maxwell Alexandre, Moisés Patrício, Sallisa Rosa, Tanka Fonta e Thania Petersen. A mostra tem abertura nesta quinta-feira (29) e é assinada pela Petrobras.
A exposição conta com obras como a da série Novo Poder (2021), em que Maxwell Alexandre apresenta uma moldura dourada vazia sobre papel pardo, e assim abre espaço na linhagem da história da arte que tradicionalmente representou o belo. Já Adama Delphine Fawundu, artista nascida em Nova York e de ascendência serra-leonesa, traz Vibrations from the Deep (2025). O trabalho foi desenvolvido a partir de uma residência no Sacatar, na ilha de Itaparica, na Bahia. Ali, a artista trabalhou com comunidades quilombolas e artistas locais para investigar como as tradições luba, kongo e iorubá permanecem vivas no estado.
Para Keyna Eleison, é uma alegria encerrar as itinerâncias da 36ª Bienal no Brasil junto à abertura do Cais das Artes. “Caminhar com a arquitetura e pensar a luz desse espaço foi um grande presente. Os artistas dessa seleção permitem entender a exposição de São Paulo como uma plataforma, algo que as itinerâncias tornam possível ao desdobrá-la em outros territórios", afirma.
“É a terceira vez que uma edição da Bienal chega a Vitória, e a primeira no Cais das Artes. Depois do Palácio Anchieta e do MAES, a parceria com um museu recém-inaugurado, com apoio da Petrobras, aprofunda ainda mais nossa presença no Espírito Santo. Vitória também encerra o percurso da 36ª Bienal de São Paulo pelo Brasil. Ao todo, o programa passa este ano por quinze cidades, três delas no exterior. Levar fragmentos da exposição principal para além do Ibirapuera está no cerne do programa de mostras itinerantes, que existe justamente para ampliar e democratizar o acesso à arte e aproximá-la de públicos que nem sempre chegam ao Pavilhão”, pontua a presidente da Fundação Bienal de São Paulo, Andrea Pinheiro.
“Quando a arte circula, ela não apenas alcança novos públicos, também se transforma em encontro com outros contextos, repertórios e formas de perceber o mundo. Receber a 36ª Bienal de São Paulo no Cais das Artes expressa essa potência ao ampliar as possibilidades de leitura das obras e estabelecer novas relações com o território. Para a OEI, participar desse movimento é contribuir para uma política cultural que articula acesso, diversidade e circulação artística, reconhecendo a cultura como dimensão essencial da vida democrática e da construção coletiva da sociedade”, explica o diretor e chefe da OEI no Brasil, Rodrigo Rossi.
“Receber a 36ª Bienal de São Paulo no Cais das Artes é um momento muito especial para o Espírito Santo. O Cais nasce com a vocação de ser um espaço de encontro, de diálogo e de conexão entre diferentes públicos e a produção artística brasileira e internacional. Ter aqui uma das mais importantes exposições de arte contemporânea do país, em sua primeira passagem pelo Cais, evidencia essa vocação e amplia as possibilidades de acesso dos capixabas a uma produção que provoca, questiona e nos convida a olhar o mundo a partir de outras perspectivas”, destaca a secretária de Estado da Cultura do Espírito Santo, Carol Ruas.
Vitória já recebeu mostras itinerantes da Bienal de São Paulo em outras duas ocasiões. A primeira foi a 33ª Bienal, Afinidades afetivas, em 2019, no Espaço Cultural Palácio Anchieta. A segunda foi a 35ª Bienal, coreografias do impossível, em 2024, no Museu de Arte do Espírito Santo (MAES) e no Espaço Cultural Palácio Anchieta.
Realizado de forma programática desde 2011, o programa de mostras itinerantes tornou-se uma extensão fundamental da Bienal de São Paulo, fazendo com que obras e debates apresentados no Pavilhão Ciccillo Matarazzo se reconfigurem em diálogo com contextos locais diversos, ativando outras leituras e relações com públicos. Na 36ª edição, esse movimento ganha novos territórios.
A itinerância da 36ª Bienal vem percorrendo o Brasil e o exterior ao longo de 2026. Já passou por Goiânia, Rio de Janeiro, Curitiba, Santos, Brasília, Fortaleza, Recife, São José do Rio Preto, Salvador, Belém e Belo Horizonte, além de Santiago, no Chile, e Berlim, na Alemanha. Depois de Vitória, o programa encerra o ciclo na Cidade do México, no Museo Tamayo, com abertura em 14 de novembro.
Sobre a 36ª Bienal de São Paulo
Com conceito criado pelo curador geral Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, em parceria com os cocuradores Alya Sebti, Anna Roberta Goetz e Thiago de Paula Souza, a cocuradora at large Keyna Eleison e a consultora de comunicação e estratégia Henriette Gallus, além dos cocuradores adjuntos André Pitol e Leonardo Matsuhei, a 36ª Bienal de São Paulo – Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática se inspira no poema “Da calma e do silêncio”, da escritora Conceição Evaristo, e tem como um de seus principais fundamentos a escuta ativa da humanidade em constante deslocamento, encontro e negociação.
A Fundação Bienal de São Paulo agradece seu parceiro estratégico Itaú e seus patrocinadores master Petrobras, Bloomberg, Bradesco, Citi, Vale e Vivo. O projeto é realizado com recursos da Lei de Incentivo à Cultura, Ministério da Cultura.
Sobre o Cais das Artes
O Cais das Artes é um equipamento cultural do Governo do Estado, por meio da Secretaria da Cultura (Secult), sob gestão da Organização dos Estados Ibero-Americanos (OEI). Cerca de 120 mil pessoas já visitaram o Cais das Artes desde a sua inauguração. O equipamento abriu as portas em 02 de abril de 2026 com a exposição Amazônia, do fotógrafo Sebastião Salgado.
Sobre a Fundação Bienal de São Paulo
Fundada em 1962, a Fundação Bienal de São Paulo é uma instituição privada sem fins lucrativos e vinculações político-partidárias ou religiosas, cujas ações visam democratizar o acesso à cultura e estimular o interesse pela criação artística. A Fundação realiza a cada dois anos a Bienal de São Paulo, a maior exposição do hemisfério Sul, criada em 1951, e suas mostras itinerantes por diversas cidades do Brasil e do exterior. A instituição é também guardiã de dois patrimônios artísticos e culturais da América Latina: um arquivo histórico de arte moderna e contemporânea referência na América Latina (Arquivo Histórico Wanda Svevo), e o Pavilhão Ciccillo Matarazzo, sede da Fundação, projetado por Oscar Niemeyer e tombado pelo Patrimônio Histórico. Também é responsabilidade da Fundação Bienal de São Paulo a tarefa de idealizar e produzir as representações brasileiras nas Bienais de Veneza de arte e arquitetura, prerrogativa que lhe foi conferida há décadas pelo Governo Federal em reconhecimento à excelência de suas contribuições à cultura do Brasil.
Serviço:
36ª Bienal de São Paulo – Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática
Itinerância Vitória – Cais das Artes
curadoria: Keyna Eleison
arquitetura: Tiago Guimarães
Abertura: 29 outubro (quinta-feira), 16h – 21h
Visitação: 30 outubro a 17 janeiro 2027 - de
Entrada gratuita
Cais das Artes:
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